quarta-feira, 18 de abril de 2018

O RPG e o lúdico nas aulas de História


Por Thiago Oliveira

Não é de hoje que as escolas contemporâneas perceberam um certo descompasso entre o interesse do aluno e o que a escola oferece. Não é raro encontrar professores dizendo que antigamente os alunos eram mais interessados, liam mais, escreviam mais, etc. O mundo mudou e, com ele, nossos alunos. Eles não leem mais ou menos, escrevem mais ou menos, mas leem e se expressam de formas diferentes das que professores estão acostumados. Esse descompasso tem vários motivos e as escolas tentam suplantá-lo de várias maneiras. A aula expositiva parece  não mais fazer mais tanto sentido, e se procura diversas opções, muitas vezes pautadas na tecnologia. Fica claro que não há uma escolha correta universalmente, e a escola deve primar justamente pela diversidade de soluções. 

Esse descompasso também tem origem fora da escola. Diariamente, os alunos são bombardeados por informações e imagens de consumo instantâneo, enquanto o método de ensino exige uma atenção contínua que excede em duração e profundidade os estímulos com os quais eles estão habituados a se relacionar. Contribuindo para esse descompasso, os processos de avaliação acabam por protagonizar a vida escolar, ofuscando as demais atividades que integram a educação. A busca pelo conhecimento acaba, assim, por ser deixada de lado a partir do momento em que a maior preocupação de alunos e professores se destina à preparação das e para as provas. Nesse sentido, o lúdico tem um lugar essencial.

De acordo com Huizinga, o lúdico é pré-cultural, ou seja, não foi inventado pelo homem. Os bebês brincam antes de aprender qualquer tipo de linguagem, assim como os animais. Brincar é essencial e nossos colegas do Fundamental I sabem disso muito bem, porém, ao avançar os ciclos, parece-me que esquecemos disso. O jogo, processo mais complexo que a brincadeira, é fundamental no processo de ensino-aprendizagem contemporâneo. Com regras e objetivos claros é um aliado poderoso do professor. Ora, o RPG surge como uma alternativa viável dentro do panorama pedagógico a partir do momento em que possibilita que se trabalhe conteúdos escolares de forma multidisciplinar, de modo envolvente e divertido.

Mas, afinal, o que é o RPG? Em inglês, esta sigla significa Role-Playing Game, algo que podemos traduzir como Jogo de Interpretação de Papéis. Neste jogo, a imaginação é o tabuleiro e os personagens são as peças. O jogo acontece pela interação entre jogadores e narrador, em um sistema de estímulo-resposta no qual os personagens e o cenário se relacionam com o conhecimento. O cenário é criado pelo narrador, podendo ser inspirado no mundo real, já os personagens são desenvolvidos sob sua orientação. O grupo, então, tece coletivamente uma história. Neste contexto, “vencer” ou “perder” são conceitos suplantados pelo trabalho em grupo.

Iniciamos nesse semestre, com os alunos do 6º e do 7º anos, uma aventura de RPG; estão agora criando personagens e decidirão todas as ações e falas desses personagens em uma história narrada pelo professor. Os alunos do 6º ano deverão procurar uma ruína entre os rios Tigres e Eufrates e, somente se tiverem sucesso, conseguirão salvar a sua cidade do jugo implacável e tirânico de uma cidade maior, que deseja cobrar pesados impostos de seus camponeses. Os alunos do 7º ano investigarão um assassinato na região mineradora do Brasil colonial durante o século XVIII e descobrirão que o crime é muito mais complexo do que parece.


Vivendo essas histórias, os alunos conseguem compreender muito melhor a dimensão humana da história, conseguem vivenciar mais vividamente as relações de poder, trabalho e entre as classes sociais. Entendem melhor que os agentes históricos têm recursos limitados e as escolhas não podem ser completamente racionais, afinal, na equação da vida, as variáveis são muitas.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Clube de Leitores do Hugo: É um mistério!

 Por Conrad Pichler 


Na primeira e excepcional reunião do Clube de Leitores do Hugo, os alunos receberam uma missão: escolher nossa primeira leitura. Nem sempre é fácil escolher uma leitura, há tantas opções, há tantas possibilidades, há infinitas combinações: os melhores autores, os melhores temas, os melhores gêneros... quando se chega a esse impasse, não tem erro: deve-se explorar tudo com a maior atenção, colocar os títulos sobre a mesa, tentar achar algo que todos queiram ler e algo que ninguém leu. Esse novo título deve ser do interesse de todos, mas é possível se divertir junto com as pessoas à nossa volta, lendo, apesar do título não interessar logo de cara. 

Neste primeiro momento, além da curiosidade dos “clubeiros”, explorando os seus próprios repertórios a partir do acervo da biblioteca do colégio, contamos também com um desejo comum: ler um clássico. (Ah! Um clássico é aquela obra já conhecida de muita gente, costumeiramente usada como referência em outras obras e a qual todos os leitores mais experientes dizem ter se perdido durante horas a fio de leitura ininterrupta). Claro que cada gênero literário tem seu clássico: os contos fantásticos de Edgar Alan Poe são clássicos do terror, as aventuras imaginativas de Júlio Verne são clássicos da ficção científica. Nas histórias de mistério e suspense detetivesco, apenas uma pessoa supera os clássicos sherlockianos de Arthur Conan Doyle: Agatha Christie.


Assim, tomados de um espírito inquieto, pegamos nossos tíquetes em forma de livro, avançamos sobre a plataforma extensa das mesas da biblioteca, nos aconchegamos ao lado dos outros passageiros-leitores e nos dedicaremos, durante 12 semanas, na leitura de “O assassinato no Expresso do Oriente”. Esperamos auxiliar, da melhor forma possível, o detetive Poirot em sua investigação, uma vez que somos testemunhas oculares de um dos mais célebres – e clássico – mistério da literatura.


O Clube de Leitura do Hugo é oferecido às quintas-feiras para alunos do 6º ao 9º anos. É possível entrar nesse trem nas próximas paradas, basta ter o tíquete na mão, isto é, o livro.


quinta-feira, 22 de março de 2018

Dia Mundial da água no currículo da formação para a cidadania

Por Rosana Maria Dell’Agnolo



A educação tem seus ritos para elaborar o projeto pedagógico que  alimenta movimentos eficientes em busca da aprendizagem significativa. Transformar assuntos da atualidade em contextos sólidos de discussão na sala de aula promove maior engajamento de professores e alunos na necessidade do aprender para utilizar na vida.

Este ano, nas aulas de Ciências do 9º ano do Fundamental II, na nossa escola, iniciamos a discussão sobre a capacidade de o homem respeitar o planeta na busca de alimentação sustentável. Como não poderia deixar de ser, a água torna-se protagonista no manejo da produção alimentar sustentável.  Nasce, então, ampla e profunda discussão sobre a presença de água de qualidade para uso da humanidade. 

Jornais, telejornais e debates midiáticos apresentam cotidianamente as ações que os nossos governantes estão gerindo diante dos acordos presentes no 8º Fórum Mundial da Água que está acontecendo em Brasília. Desde 1992 o Brasil protagoniza as discussões ambientais. Sentimos, então, como professores e gestores, que esse dia mundial de tributo à água deveria ser momento de reflexão para nossos alunos.

As escolas e instituições culturais estão engajadas nesse dilema de fazer com que os alunos sintam o pertencimento ao planeta Terra, e de alguma forma criem ações de comemorações,  debates e presença participativa nas petições públicas.

Dialogando com os alunos, decidimos seguir o que a maioria das escolas do mundo, e principalmente do Brasil, escolheram para este momento. Vamos cantar a música Planeta Água, de Guilherme Arantes, escolhida como “hino” desta representação e vivenciaremos as comunicações de Severn Suzuki, uma ativista que convoca os jovens do mundo inteiro para se engajarem nas questões ambientais.  Em 1992 ela era apenas uma criança de 12 anos que silenciou o mundo, na ECO 92 , retratando como os estudantes se sentem diante dos problemas ambientais. 

Assista : A garota que calou o mundo 

Nosso compromisso, este ano, é aprofundar os estudos sobre o meio ambiente em todas as disciplinas. Com ferramentas pedagógicas e modalidades didáticas diferenciadas, nosso projeto de escola que transforma o modo de pensar, constrói cidadãos críticos e colaborativos, hoje comemora o “líquido da vida”, cantando, refletindo, construindo ideias para um futuro onde a água esteja disponível para a saúde do nosso Planeta.


O que você fez de concreto para mudar hábitos de desperdício de água?

A Humanidade de hoje deve ser  composta por “sentinelas" da vida no planeta, pois só assim o homem do futuro existirá.

Para participar das discussões políticas sobre o uso da água, entre em:

quarta-feira, 14 de março de 2018

Aulas de Atualidades e Política : A leitura de jornal e o gosto pela informação

Por Maíra Costa

A fim de encorajar nossos alunos a se manterem informados e críticos acerca do mundo que os cerca, iniciamos nossos trabalhos em 2018 com a leitura de jornais. Nos meses de fevereiro e março, trouxemos à sala de aula debates da atualidade por meio do compartilhamento de artigos jornalísticos. A princípio, utilizamos o jornal Joca, especializado no público infanto juvenil, e depois partimos para a leitura de artigos dos principais jornais paulistas, Folha de São Paulo e Estadão. Os primeiros temas de discussão tratados foram as fake news, a febre amarela, os muros de Trump, as espécies na Amazônia, o salário mínimo, o uso de celular por jovens e seu impacto na saúde, a intervenção militar no Rio de Janeiro, entre outros. 

As atividades têm ainda o intuito de desenvolver a habilidade de levantar boas questões sobre o que lemos e ouvimos e de oportunizar o aprofundamento sobre os temas tratados, pela busca de informações em muitas fontes. A ideia é que o aluno se mantenha atualizado, ativo e participante. 

Nossos alunos encararam a tarefa de forma muito positiva, trabalhando com seriedade e empenho a fim de extrair dos artigos o que de mais relevante encontravam para transmitir aos colegas. Durante as apresentações, os ouvintes também não eram passivos, já que deveriam formular, em seus cadernos, perguntas sobre o que ouviam. Ao final de cada rodada de exposições, as perguntas anotadas em segredo eram compartilhadas com os expositores, a fim de que esses selecionassem a mais adequada para sua pesquisa de aprofundamento. 

 

A pesquisa realizada em casa teria como finalidade não apenas o aumento de repertório por parte do aluno pesquisador, mas também a comunicação dos resultados de sua pesquisa aos colegas. E, sendo a comunicação a função primária, não apenas da linguagem jornalística, mas de qualquer linguagem, o texto produzido com o intuito de responder aos colegas daria sentido à sua escrita, já que possui interlocutores reais.
  
Esse trabalho vem ao encontro de uma das principais demandas da atualidade, a saber, a habilidade de buscar o conhecimento de forma criteriosa. Tendo em vista a profusão das fake news, tornou-se necessária a discussão acerca das fontes de informação. Por isso, foi tema de nossos encontros a confiabilidade das fontes. Analisamos quais indícios deveriam nos levar a desconfiar de uma dada informação e quais características estariam presentes nos bons textos jornalísticos. Analisamos também como a informação não é isenta. Mesmo quando um texto se propõe meramente informativo, a escolha das palavras e temas deve ser observada com cautela. 

A partir da segunda metade de março até o final de abril, trabalharemos as pré-candidaturas e candidaturas à presidência do Brasil. Iremos acompanhar os presidenciáveis, documentando seu passado e seus movimentos presentes por meio de um dossiê. Cada aluno (ou dupla) ficará responsável por informar sua turma a respeito daqueles que irão liderar a cena política a partir de 2019. Nosso objetivo é, novamente, incentivar a pesquisa autônoma a respeito de temas que nos influenciam direta ou indiretamente, mantendo vivo o gosto pela informação precisa, que nos possibilita a tomada consciente de posição. 

 

 


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O compromisso entre a escola e as famílias

Por Theodora M. Mendes de Almeida – diretora pedagógica

Desde a primeira visita das famílias, nos esforçamos para esclarecer ao máximo a proposta pedagógica e a metodologia de ensino da escola. Contamos aos pais novos sobre como desenvolvemos nosso trabalho e quais são os nossos valores, para que avaliem bem a sua escolha. Neste encontro, procuramos conhecer também o processo de aprendizagem destes alunos até o momento em que nos procuram.

Para os pais que já estão conosco há mais tempo, sabemos que é necessário atualizar as informações. Para nós, é importante deixar claro o que esperamos desta parceria e, assim, informamos de diversas maneiras como podem acompanhar o desenvolvimento de seus filhos, a cada nova fase. A escola e os pais precisam estar preparados para lidar com as questões que certamente irão surgir, enfrentando-as com naturalidade e respeito.

No planejamento de cada novo ano, reunimos a equipe pedagógica, fazemos a escolha dos projetos e elaboramos as justificativas para cada faixa etária, preparamos o calendário anual, planejamos as saídas pedagógicas, adequamos os materiais solicitados ao longo do ano, pensamos nas lições que serão enviadas para casa, que uso faremos das ferramentas tecnológicas e muito mais. Tudo isto é discutido pela equipe e compartilhado com as famílias ao longo do ano: nas circulares por e-mail, atualização do site, fotos e legendas no Facebook, textos mais longos e detalhados no blog, entrevistas, relatórios e reunião de pais.

 A reunião de pais é, sem dúvida, momento importante para esta troca. Para que o encontro se torne mais proveitoso, é interessante que os pais tragam questões que poderão ser abordadas naquele momento, beneficiando a todos. Além dos temas relacionados ao ensino e à aprendizagem, quando percebemos a dificuldade das famílias para lidarem com certos temas típicos da idade, aproveitamos as reuniões de pais para promover palestras esclarecedoras. Com isso, a presença nesses, e em todos os eventos, se torna ainda mais imprescindível. Quando se tem conhecimento, é possível participar de forma mais eficiente.

O que queremos enfatizar aqui é que a relação deve ser sempre de parceria e de cumplicidade, lembrando que a formação em casa complementa a da escola e vice-versa. É função dos pais ajudar na construção do papel de estudante, estimulando seu filho/a a gostar da escola, mostrando a importância de cumprir seus compromissos, entre tantas outras coisas.

Compreender o Projeto Pedagógico de modo amplo e participar de tudo o que a escola propõe é muito importante para aproximar família e escola e garantir o aproveitamento dos alunos. Temos que nos respeitar e apoiar mutuamente.

Que seja um ano enriquecedor para todos nós!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A Música nos projetos trimestrais: preparando apresentações finais

Professor Paulo José Afonso Caldas

Preparar uma apresentação é mergulhar profundamente naquele material que se quer mostrar, é se tornar mais íntimo daquela música, daquele instrumento que vamos usar, de forma a conhecer detalhadamente o que vamos fazer. 

No Grupo 5, ao entrarmos no projeto “Animais dos Polos”, abordamos canções que fazem referência a alguns desses animais: “O Pinguim”, “A Foca” – (ambas da Arca de Noé, de Vinicius de Moraes), e “Urso polar” e “Foca”, musicadas pelo professor a partir de poemas do livro “Oba! Que frio”, de Lalau e Laura Beatriz. 


E não foram só com canções que abordamos o assunto. Fez parte da nossa prática neste trimestre um divertido exercício de movimento, interpretando alguns animais dos polos, ao som de exemplos da música orquestral de Camille Saint-Saëns (O Carnaval dos Animais) e Tchaikovsky (Suite Quebra-Nozes). Assim, a lebre, a coruja do ártico, a baleia, o urso, o pinguim e a foca tiveram seus movimentos interpretados pelos alunos, em interação com a música, que sempre trazia inspirações interessantes para a performance. Nesse exercício, o importante não é o ritmo ou a entoação, mas o que aquela música me inspira a expressar corporalmente quando eu finjo ser um bicho ou outro. Os resultados vão para além do divertido, gerando momentos de expressão muito interessantes.

Nossa prática, cantando e tocando os instrumentos, nos renderam resultados mais palpáveis. A entoação começa a ficar mais precisa, conseguimos agora entender um pouco mais quando cantamos a letra de forma mais falada ou quando entoamos as palavras em concordância uns com os outros. No final do trimestre até surgiu a ideia, por parte deles, de cantarem sozinhos, um de cada vez, enquanto os demais acompanhavam com os instrumentos.

A pulsação, ao acompanhar as canções com os instrumentos, ficou mais firme e, ao mesmo tempo, o som dos instrumentos mais equilibrado com o som da voz. 

No 1º ano ensaiamos uma canção referente ao projeto “Universo” que se chama “Para baixo ou para cima?”, da série de animação “O Show da Luna”, que fala do fenômeno da gravidade.  Alguns já conheciam, os demais aprenderam a letra, colocamos a canção num tom apropriado para os alunos cantarem, e todos cantaram lindamente. Ainda ensaiamos um rap feito pelas professoras que faz referência aos planetas do nosso Sistema Solar. A letra é mais longa, mas eles deram conta de decorar e cantaram com animação. 


No 3º ano, ao entrarmos no projeto “Grécia Antiga”, estudamos a canção “Os 12 trabalhos de Hércules”, de Zé Ramalho. A canção deixou a turma empolgada, pois já haviam ouvido falar do herói, ou lido a respeito dos 12 trabalhos realizados por ele. Gostaram ao ponto de decorarem a letra toda, cheia de referências, em pouquíssimo tempo. E a melodia desta tem muitos detalhes e uma extensão de notas incomum ao repertório estudado até então. Contudo, a canção não nos permite fazer grandes peripécias com o acompanhamento, que teve que ser bem simples. Isso permitiu que a turma pudesse cantar e tocar ao mesmo tempo, com mais tranquilidade.


No 4º ano, mergulhamos na música medieval, contribuindo para o projeto “Idade Média”.  Nas aulas, assistimos a vídeos que mostravam instrumentos musicais medievais. Fizemos relações de parentesco desses instrumentos com os instrumentos modernos que conhecemos. Assistimos, também, a vídeos de grupos tocando música medieval e grupos dançando.  

Em seguida, abordamos uma “cantiga de amigo” galaico-portuguesa do século XIII, contida em um dos poucos manuscritos galaico-portugueses que contém, além da letra, a parte musical registrada, e que é atribuída ao trovador galego Martim Codax: “Mandad’hei comigo”. Tivemos que ler uma tradução para compreendermos bem o que a letra dizia. E treinamos, sempre lendo a letra, usando um sotaque aportuguesado. 

A partir do momento em que a canção foi melhor apropriada pelos alunos, começamos a montar o arranjo de acompanhamento. Assim, tocamos a melodia com flautas, elaboramos a parte rítmica com percussões e violão. Cada um escolheu o que quis tocar. Alguns até optaram por só cantar. Outros engajaram-se em tocar o violão, que no caso usa um único acorde, fácil de ser tocado. A parte da flauta foi bem desafiadora, e exigiu das alunas que estudassem a música em casa também, o que deu um ótimo resultado.

Além da canção, estudamos também uma dança francesa chamada “Branle Pinagay”, que é dançada com um único passo básico, mas que permite diversas formações com o grupo: Dançar em roda, em fileiras, com cruzamentos, e por aí vai. Ao aprender o passo básico, fizemos nossa própria versão da dança e pusemo-nos a ensaiá-la. Tudo isso deu um baita trabalho à turma, que se saiu bastante bem na empreitada. E o repertório foi bem aceito. Gostaram de cantar, de tocar e de dançar.  

Esse estudo foi muito importante e dará bases para que os alunos compreendam um pouco mais das origens das músicas que compõem a nossa cultura musical. 


Nesse trimestre no 5º ano, que encerra nosso curso de música do Fund I, tivemos um desafio especial: cantar uma canção polifônica. Contribuindo para o projeto “Renascimento”, abordamos uma canção a três vozes, portuguesa, do século XVI, chamada “Na fomte está Lianor” (assim como está escrito no manuscrito). A letra descreve momentos em que Lianor sofre a ausência de seu amado. A letra também traz amostras de como se escrevia em português na época. Os alunos puderam observar uma foto do manuscrito e reparar em curiosidades da escrita, como, por exemplo, “olhando”, no manuscrito se vê “olhãdo”; e “fonte”, no manuscrito se vê “fomte”.

No arranjo das vozes dividimos o grupo em dois: um para a voz mais aguda e outro para a voz do meio. Eu acabei ficando com a voz mais grave. Os alunos não demoraram a aprender suas vozes. Porém, o grande desafio era cantar uma melodia enquanto se ouve outras duas. Ensaiamos muito, a princípio só com duas vozes. E, na medida em que ficaram mais seguros, comecei a colocar a terceira voz. Foram momentos muito especiais, pois eles gostaram da canção e do efeito da junção das vozes. E um fato me deixou muito feliz. Não só a mim, na verdade, mas à turma toda: Derik e Edu, que nunca se propunham a cantar na aula (só gostavam de tocar), começaram a cantar com os colegas – uma grande vitória dessa turma que é unida, companheira.  

Para não ficarmos só nas vozes, nesse momento revimos atividades antigas para mexer o corpo, explorar instrumentos e improvisarmos em grupo: “Siga o som” (reagindo com movimentos corporais a diferentes paramentos do som) e o “jogo de sobreposição de ritmos” (no qual os alunos combinam ritmos diferentes num processo de improvisação coletiva).

Por fim, ainda estudamos uma dança instrumental (termo que denomina uma música para dançar) francesa chamada “Branle de la torche”, com melodias tocadas na flauta e acompanhamento de percussões. A melodia da flauta é mais desafiadora e os alunos que optaram por tocá-la precisaram treinar em casa, o que permitiu a eles darem esse passo à frente no instrumento. 

Dessa forma, conseguimos um bom contato com esses dois gêneros de época, proporcionando uma vivência bacana na musica renascentista europeia (música que também influenciou nossa cultura).


Treinamos, acertamos, erramos, encontramos soluções, nos comunicamos para fazermos juntos. E aí, quando tudo está pronto, e chega a hora, acaba ficando para alguns (me incluo, é claro) aquele nervozinho que sentimos antes de nos apresentarmos. Isso acontece, pois sabemos de tudo o que pode dar certo e errado, e cada detalhe imperceptível para a plateia é gigante para nós, que estamos apresentando. 

Esse momento mágico faz parte da prática musical e coroa todo o nosso esforço e trabalho do ano.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Capoeira: Educação e cultura por meio da arte, dança, jogo e luta

Por Diego Zaccardo Ventura

Contexto histórico

A capoeira surgiu no Brasil por volta do século XVII, quando o país ainda era colônia de Portugal, com a chegada dos negros que foram trazidos da África para trabalharem como escravos nas fazendas produtoras de açúcar (engenhos).

Grande parte desse escravos vinham da região de Angola, cujos nativos já praticavam muitas danças ao som de suas músicas.

Ao chegarem no Brasil, eles foram proibidos de praticar qualquer tipo de luta e viram na capoeira a chance de disfarçarem sua luta por meio do ritmo e dos movimentos de suas danças africanas. Além de essa ser uma forma de manter a sua cultura e aliviar o estresse do trabalho pesado a que eram submetidos, os escravos viram na capoeira uma forma de proteção contra a violência e repressão que sofriam pelos capitães do mato e os donos das fazendas.

A capoeira nas escolas

Mesmo após a abolição da escravatura no Brasil, a capoeira não era vista com bons olhos e a sua prática era proibida. Somente ao final do ano de 1972, após muitos esforços, a capoeira foi vinculada ao Comitê Olímpico Brasileiro e firmou-se como uma prática esportiva presente em escolas, clubes e academias.

Falando mais especificamente do universo infantil, por meio da capoeira as crianças se divertem, ganham saúde e manifestam seu lado esportivo.

Além do corpo, a capoeira ajuda as crianças a exercitar a mente, trabalhando suas habilidades físicas (resistência, flexibilidade, equilíbrio, coordenação, reflexo e capacidade cardiorrespiratória) e psicológicas (criatividade, atenção, autoconfiança, respeito, disciplina, autossuperação e autocontrole). 

Outro aspecto positivo da capoeira é que as crianças passam a ser mais disciplinadas, mais cooperativas e têm maior facilidade de integração em grupos sociais e maior senso de sociedade.

A capoeira no Colégio Hugo Sarmento

No início de 2017, recomeçamos as aulas com os alunos do Fundamental I e as atividades abordam todos os aspectos da capoeira:

  • Arte: a capoeira é considerada uma arte em razão de seu peso cultural e histórico.
  • Dança: na capoeira a musicalidade é muito explorada e todos os movimentos são realizados através da ginga e floreio, que assim como uma dança é um movimento coordenado e rítmico.
  • Jogo: o jogo da capoeira é praticado em duplas, em que cada praticante demonstra seu conhecimento e desenvolvimento sobre a atividade.
  • Luta: embora o jogo da capoeira não tenha como objetivo eleger um campeão, seus movimentos e golpes permitem habilidade e técnicas de defesa pessoal.

Para embalar o ritmo da roda da capoeira, em que os alunos jogam, nas aulas eles também aprendem toda a base da musicalidade e o toque dos instrumentos que são utilizados pelos capoeiristas na chamada “bateria”, como: berimbau, pandeiro, agogô, reco-reco e atabaque.

Principais atividades: golpes e movimentos acrobáticos aprendidos durante o ano, toque de instrumentos e materiais utilizados:

  • Golpes frontais: martelo, ponteira, bênção, chapa de frente, queixada de frente, meia lua de frente, entre outros.
  • Golpes giratórios: armada, meia lua de compasso, meia lua solta, parafuso, etc.
  • Técnicas e materiais utilizados: para aprender esses golpes, os alunos realizam os chutes por cima de cones, em aparadores ou tentando alcançar garrafas PET penduradas em uma corda.
  • Movimentos acrobáticos: au (popularmente conhecido como “estrelinha”), macaquinho, parada de cabeça, parada de dois apoios (bananeira), etc.
  • Técnicas e materiais utilizados: tatames, cordas, bola de Pilates e steps de madeira.
  • Toque de instrumentos e canto das músicas: os alunos, ao longo do ano, aprenderem a tocar berimbau, pandeiro, atabaque, agogô e reco-reco, incluindo algumas variedades de canto e toques que fazem parte da capoeira.

Galeria de fotos

Durante aula de movimentos acrobáticos, aluno realiza o movimento au (estrelinha) com o apoio de apenas uma das mãos.

Durante o 2º semestre, os alunos aprenderam e treinaram também o maculelê, que é uma dança guerreira que utiliza bastões e faz parte da cultura brasileira.

Durante a aula, aluno realiza o golpe au (estrelinha) com o apoio das duas mãos.

Em aula de movimentos acrobáticos, aluno realiza o movimento parada de 2 apoios (bananeira).

Roda de capoeira entre os alunos com canto e toque de instrumentos (berimbau, pandeiro e atabaque) na bateria.

Aluno realiza o movimento acrobático au batido, também conhecido como beija-flor.

Eventos

Batizado de Capoeira
O batizado é um dia de festa em que os novos capoeiristas participam pela primeira vez do jogo na roda de capoeira com professores, mestres e contra-mestres. São realizados batizados na entrega da 1ª corda ou para troca de cordões, conforme o aluno evolui na modalidade e amplia as suas habilidades, tanto para a realização de movimentos de maior dificuldade, no espírito cooperador do capoeirista e no aprendizado de cantos e toques de instrumentos e ritmos. 

É um momento especial em que o aluno batizado escolhe o seu padrinho, que é convidado a amarrar a sua corda ou o seu cordão, gerando consigo uma eterna lembrança daquele momento especial.

No final do 1º semestre de 2017, no dia 30 de junho, foi realizado o batizado de capoeira no Colégio Hugo Sarmento, em que os alunos ganharam sua 1ª corda de capoeira e puderam mostrar aos seus familiares e amigos um pouco das suas habilidades adquiridas com a modalidade.

Eventos Interescolares

Também neste ano, os alunos do Colégio Hugo Sarmento foram convidados a participar do Festival Intercolegial de Capoeira do Colégio Santa Cruz, realizado em 2 de setembro. Neste evento, eles tiveram a oportunidade de interagir com as crianças do colégio anfitrião e de outros colégios convidados. Nesse evento, os alunos participaram de 3 oficinas de capoeira e, ao final, receberam uma medalha.


Fontes
- Site Portal e Educação: https://www.portaleducacao.com.br/
- Revista Universo Capoeira: nº 5 – Ano 1 – outubro/novembro 1999

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O protagonismo como proposta

Por João Mendes de Almeida Jr

“Assim, a concepção contida na proposta de protagonismo juvenil deve ser entendida de forma abrangente, não podendo limitar-se à Educação escolar, mas incluindo outros aspectos que possam auxiliar os jovens no exercício da vida pública, como o desenvolvimento pessoal, profissional, as relações sociais e o trato com as questões do bem-comum". (Branca Brener, psicóloga e mestre em Serviço Social pela PUCSP) 

Todos os anos reunimos nossos professores, coordenadores e orientadores em um Simpósio Interno, trazendo um tema para debate e para a troca de experiências: entre os segmentos que compõem a escola, entre os profissionais da equipe e, algumas vezes, com especialistas de fora.

O tema comum a todos os segmentos, da Educação Infantil ao Ensino Médio, nos permite criar uma unidade na atuação pedagógica, um corpo mais coeso de pensamento e um conhecimento mais sólido acerca das possibilidades de construção diária de nossa prática.

Neste último sábado, chegamos à oitava edição do Simpósio Interno, desta vez com o tema “O Protagonismo do aluno na escola”

O conceito do protagonismo na escola vem sendo construído ao longo dos últimos anos com a participação de educadores e pensadores de diversas partes do mundo e tem como peça chave o aluno como ponto central da prática educativa, contribuindo para a formação de jovens e adultos mais autônomos e comprometidos com seu aprendizado, com valores de solidariedade e respeito mais incorporados e que contribuam para a transformação social.  


O estímulo para o início dos debates foi o documentário “Nunca me sonharam”, o qual nos convida ao diálogo sobre a realidade do ensino médio nas escolas públicas do Brasil. Na voz de estudantes, gestores, professores e especialistas, o filme questiona: Como nós, enquanto sociedade, estamos cuidando e valorizando a qualidade da educação oferecida aos jovens na fase mais sensível e transformadora de suas vidas? Dirigido por Cacau Rhoden, o filme foi premiado em Los Angeles como o melhor documentário de 2017. 

O documentário é um tocante “apelo” para a mudança que a educação precisa para contemplar a infinidade de sonhos dos jovens que passam diariamente pelos bancos escolares.

Dividimos nossos professores em grupos, que continham elementos de todos os segmentos da nossa escola, para debaterem suas visões acerca das falas dos alunos, professores, gestores e especialistas de fora da educação apresentados no documentário.



Pudemos constatar que as dúvidas e angústias retratadas são, em certa medida e consideradas as enormes dificuldades mostradas, comuns às nossas como educadores e de nossos alunos, envoltos na enorme pressão que a adolescência traz.

Na busca deste protagonismo juvenil, a atuação dos professores em favor deste aluno e futuro cidadão autônomo, crítico e consciente deve começar bem cedo, desde a Educação Infantil, propiciando às crianças um encantamento pelo aprendizado, um significado para os conteúdos e a criação de vínculos afetivos que deem segurança e estímulo a cada um.

Para que isto seja possível é fundamental uma mudança na visão do papel dos alunos em que estes possam se enxergar como “fonte de iniciativa, fonte de liberdade e de compromisso”.

O Simpósio seguiu e, depois desta conversa, compartilhamos com toda a equipe dois projetos em andamento em nosso colégio que têm o Protagonismo como fundamentação.

O primeiro, desenvolvido pelo 4º ano do Ensino Fundamental, a que chamamos “Ensinando e Aprendendo”, tem como escopo a experiência compartilhada de saberes. Cada estudante prepara oficinas para ensinar aos seus colegas algo que ele saiba fazer, algo que ele conheça bem ou de que goste. Culinária, artesanato, esportes ou qualquer outro assunto podem entrar na atividade, lembrando que são crianças de nove anos de idade.

A escolha do tema, a preparação, o formato da oficina partem da iniciativa dos alunos e da autodescoberta e autoconhecimento naquilo de bom “que posso compartilhar com meus colegas”. Processos de avaliação e de autoavaliação estimulam e valorizam os trabalhos apresentados.

O segundo projeto, desenvolvido com os alunos do 9º ano, chamamos de “Sonhar a Escola”, trata de um momento marcante na vida dos adolescentes: a passagem do Ensino Fundamental para o Ensino Médio.

O projeto em curso que envolve alunos, professores, coordenadores e tutores do Fundamental e Médio, pediu para os alunos, na onda das mudanças anunciadas pelo Governo Federal, uma proposta de um novo Ensino Médio que contemplasse seus sonhos de escola e futuro. O objetivo é expor ou mesmo identificar seus sonhos de uma “escola ideal”, uma “escola utópica”. 

Uma citação no documentário “Nunca me sonharam”, que recomendamos seja assistido junto com seus filhos, associa a educação a uma plantação de tamareiras que levam quase cem anos para dar os primeiros frutos. Quem planta, não vai colher as tâmaras. Esta “boa colheita” será feita pela transformação social com que todos sonhamos.

As construções deste protagonismo, desta autonomia e dos sonhos possíveis e impossíveis, estão no fundamento de nossa atuação pedagógica. O desafio diário que enfrentamos, de criar um ambiente de aprendizado significativo, do encantamento pelos saberes, na descoberta dos sentimentos dos conteúdos, de um aprendizado baseado em projetos com a participação efetiva dos alunos, só é possível com o envolvimento e em uma escola em constante inquietação e um olhar no futuro.


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Oficina de redação ENEM e vestibulares


Por Gizelia Mendes

Sou professora formada em Letras e com especialização em língua portuguesa e literatura. Sempre fui encantada pelas aulas de redação, mas em minha experiência, sentia que a redação do ENEM  e dos vestibulares ainda amedrontavam grande parte dos alunos e foi pensando em sanar essas dificuldades que nasceu a “Oficina de redação do ENEM e vestibulares”.

A ideia da oficina é desmistificar a tipologia dissertativo-argumentativa e mostrar aos alunos como é feita a correção de tais provas e ajustar a estrutura desse tipo de texto: como introduzir a redação, o que deve conter nessa introdução; como argumentar e montar a tese e como concluir a tese e ainda, no caso do ENEM, como encontrar a solução ideal para a intervenção, de acordo com a tese apresentada.


Há, ainda, um parâmetro das últimas edições da redação do ENEM, uma reflexão sobre os possíveis temas e indicações de livros, filmes, exposições e tudo o mais capaz de aumentar o repertório cultural do aluno. Sabe-se que escrevemos a partir das nossas vivências de mundo, então, é também durante a oficina que o aluno é exposto a novas nuances culturais.

No Colégio Hugo Sarmento, a oficina foi ministrada no segundo semestre deste ano, para os alunos da 3ª série, com o intuito de preparar os alunos para as redações de ENEM e vestibulares a que serão expostos nas próximas semanas.

Informei aos alunos sobre os temas das redações de anos anteriores:
2016: Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil;
2015: A persistência da violência contra a mulher no Brasil;
2014: Publicidade infantil em questão no Brasil;
2013: Lei Seca no Brasil;
2012: Imigração no país;
2011: Viver em rede no século 21 - os limites entre o público e o privado.

Discutimos sobre possíveis temas para este ano:
* Os limites do humor;
* O aumento de jovens com depressão no Brasil;
* Preconceito linguístico;
* Esporte como mecanismo de inclusão de deficientes físicos;
* Discurso de ódio nas redes sociais;
* Arte urbana;
* O conceito da família no século XXI;
* Caminhos para o combate a homofobia no Brasil;
* Desafio da mobilidade urbana nas grandes cidades;
* Aumento da expectativa de vida: Um desafio para o Brasil.

Um dos temas propostos durante as aulas – O desafio da mobilidade urbana nas grandes cidades – foi o tema da redação da Anhembi Morumbi, como constataram dois alunos que participaram da prova no último mês.

No decorrer das aulas e das explicações, foi notório o avanço no desenvolvimento dos alunos e na qualidade de seus textos, além da participação nas rodas de discussão sobre assuntos da atualidade e indicações culturais.

Tenho certeza que os alunos saem do projeto com ampliação das experiências com textos dissertativo-argumentativos, maior desenvoltura na escrita, refinamento vocabular e repertório cultural mais extenso.


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Respiração x Emoções: Pare, respire e conte até 10


Por Claudia Cosceli
A respiração faz parte do sistema nervoso autônomo, algo que fazemos de maneira natural e espontânea, uma atitude involuntária que nos foi dada desde o nascimento e vai nos acompanhar até o final de nossas vidas.

Todos já passamos por experiências nas quais nossa respiração teve um papel decisivo, provando que ela tem total relação com o nosso estado emocional e físico.

Para trabalharmos essas questões, não percebemos que podemos usar nossa respiração. Se tornarmos a respiração consciente, podemos aumentar nosso bem estar e nos ajudar a enfrentar os contratempos de nossas oscilações de humor e sentimentos, controlando, assim, nossas emoções.

O trabalho de treino e consciência da respiração é muito usado nas aulas de Yoga; essa técnica é chamada de Pranayama (“Pran” significa força da vida e “ayama” significa expansão), já que trabalha questões de domínio intenso sobre tudo que envolve o ar dentro do corpo, trabalhando o oxigênio a fim de, com ele, efetuar as transformações químicas necessárias para que o sangue possa distribuir “nutrição” a todas as células. É duplamente voluntário e involuntário; se quisermos, podemos acelerar, retardar, parar e recomeçar o ritmo respiratório. Tudo isso se dá mediante treino e muita concentração.

O trabalho realizado com as crianças tem fundamental importância, já que estimula essa atenção com a respiração desde pequenos, trabalhando aspectos de observação das emoções, observando em qual momento usar as técnicas de respiração aprendidas em aula. Assim, vão adquirindo uma maturidade apurada do próprio corpo que se desenvolve ao longo da puberdade e da vida adulta.

Sabemos que a respiração está ligada diretamente às nossas emoções; percebemos que quando ficamos nervosos e ansiosos o primeiro sintoma é a da respiração ofegante e rápida. 

O treino constante nos ajuda até mesmo a perceber quando iniciamos um processo de alteração emocional, gerando, assim, uma percepção do evidente caos que a ansiedade causa e desencadeando uma respiração quase imediatamente após o início do problema.


A respiração correta é a nasal


O nariz é um filtro contra poeiras. Graças à ação bactericida de seu muco, ele nos livra de insidiosos invasores. É também um radiador natural que aquece o ar frio do inverno, antes de chegar aos pulmões.

Os inconvenientes da respiração bucal são de dupla natureza: físicos e prânicos. 

Os de ordem física começam com a insuficiente alimentação de ar nos pulmões. Os que respiram pela boca são permanentemente martirizados por uma asfixia parcial, além de serem mais sujeitos às infecções por germes do ar. 

A dificuldade de respirar pelo nariz começa quase sempre na infância, e é quando, por tal motivo, se forma o hábito de respirar pela boca.

Em uma pessoa sadia, a respiração se faz mais fortemente por uma narina do que pela outra, variando o lado de duas em duas horas. Durante duas horas, a narina direita funciona mais fracamente do que a esquerda, depois de duas horas, muda e então é a esquerda que mais trabalha. As pessoas que sofrem de nariz entupido de um dos lados gozam menos saúde do que os que respiram normalmente. Por isso deveriam aprender a conservar funcionando bem ambas as narinas.

Agora que expusemos o ônus de uma respiração defeituosa, estamos na obrigação de indicar técnicas yogues que a possam corrigir e curar.


Dicas para desentupir as narinas em casa:

1- Para desobstruir uma das narinas, coloque na axila, do lado oposto, um volume como o de um livro, ou o punho fechado. Dentro de minutos, o desentupimento se dará. É só ter um pouco de paciência. Logo que obtiver o que deseja, desfaça a pressão, se não, vai entupir a narina do mesmo lado. Se estiver na cama, é suficiente deitar-se sobre o lado desobstruído, para em poucos instantes livrar a narina que estava entupida. 

2-  A lavagem do nariz ou Jala-Net consiste em, através de um bule específico chamado Lota, fazer entrar água morna com sal por uma narina a sair pela outra, provocando a lavagem das narinas. A água deve ser fervida, com uma solução de 7% de sal de cozinha (melhor o sal bruto) e em temperatura tépida. Observe o posicionamento correto da cabeça, para que a água não vá para a garganta, mantenha a boca aberta e nesse caso a respiração é pela boca. (Contra indicado em casos de sinusite aguda).

3- Respiração do sopro rápido, consiste em soltar o ar por ambas as narinas de maneira rápida e rigorosa (como se fosse um espirro); quando expulsar o ar, pressione o abdômen. Dessa forma provocamos uma limpeza intensa nas narinas; dê preferência para a sua execução no vapor do banho (se possível, colocar 3 gotas de óleo essencial de eucalipto no chão do box). 


Vantagens da respiração consciente

O pranayama é, portanto, a maneira mais rápida de nos trazer de volta para o momento presente, normalizando as condições de calma e tranquilidade do nosso corpo físico. Mas, para além dos efeitos mais evidentes da respiração lenta e consciente, existem muitos outros benefícios a serem considerados, dentre eles, os de que a respiração consciente:

• Estimula o cérebro através da liberação de elementos químicos conhecidos como endorfinas, que combatem a depressão;
• ativa a glândula pituitária, à qual são atribuídos os elementos da intuição;
• reduz toxinas nos pulmões;
• promove a limpeza do sangue;
• energiza e aumenta a vitalidade;
• regula o equilíbrio do pH, o que contribui com o controle do stress.

 

 
Em resumo – respirar bem nos ajuda a ser uma pessoa mais relaxada e saudável.

Fontes: