quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Entrevistar é mais do que perguntar

Por Rosana Nunes e Adriana Gallão

Sabemos que, nas entrevistas, o entrevistador faz perguntas a um entrevistado com o objetivo de obter informações, esclarecimentos ou opiniões sobre um determinado assunto, sendo a entrevista uma das metodologias aplicadas em trabalhos de pesquisa científica. É muito utilizada por amplo campo de pesquisas, em especial nas ciências sociais.

Para as crianças, entretanto, não é tão simples; por isso, antes de elaborarem perguntas, os alunos, com a ajuda do professor, se preparam reunindo informações sobre o assunto a ser abordado, para que aja maior interação entre o entrevistador e o entrevistado.

No Fundamental I, os alunos analisam entrevistas anteriormente publicadas em jornais e revistas, com o objetivo de perceber a sua estrutura: título, apresentação, perguntas e respostas.

 

Antes de elaborarem as perguntas, os alunos são convidados a trocar ideias, em duplas ou coletivamente, com a intenção de garantir perguntas pertinentes, sendo esta uma vivência muito potente e desafiante para aprenderem a organizar a forma de perguntar.

Outro desafio é o trabalho com a escuta - o entrevistador precisa estar atento às perguntas para conseguir fazer a regulação e, neste momento, os alunos ainda precisam da mediação do adulto, o que é esperado. Por isso, nos preocupamos mais em trabalhar algumas palavras que ajudam a antecipar o que será respondido: quem, quando, como, onde, por quê. Após compartilharem o que já sabem e o que ainda falta saber, elaboramos o roteiro para a entrevista, acrescentando novas sugestões para, então, realizarem a entrevista. 

Para os alunos do Ensino Médio, que já têm maior experiência, procuramos ampliar o uso das entrevistas como estratégia na busca de conhecimento. Ao propormos projetos de pesquisa, queremos desenvolver diferentes habilidades e competências necessárias para fazer descobertas e produção de conhecimentos. O processo de investigação e a comprovação de um determinado objeto de pesquisa requer mais do que a leitura de livros que trazem informações já construídas.

Professores e alunos aprendem juntos e compreendem que o processo de ensino e de aprendizagem se efetiva na construção ativa e participativa do conhecimento. Pesquisar é, portanto, um importante caminho para se chegar ao conhecimento. É na pesquisa que utilizamos diferentes instrumentos para se chegar a uma resposta mais precisa.

São muitas as estratégias de coleta de dados na pesquisa de campo. Em uma abordagem qualitativa, dentre elas, a entrevista ocupa lugar de destaque. Quando queremos conhecer a história pessoal é importante dar destaque à subjetividade, que fornece elementos que nenhuma outra fonte seria capaz de dar, pois pode revelar sentimentos, significados, simbolismos e, até, a imaginação das pessoas. A riqueza de uma pesquisa com esta metodologia está na importância atribuída às histórias vividas.

"O termo entrevista é construído a partir de duas palavras, entre e vista. Vista refere-se ao ato de ver, ter preocupação com algo. Entre indica a relação de lugar ou estado no espaço que separa duas pessoas ou coisas. Portanto, o termo entrevista refere-se ao ato de perceber realizado entre duas pessoas". RICHARDSON (1999) p 207.

A história oral passou a ser mais valorizada como método de pesquisa de campo na medida em que pesquisadores constataram que percepções, sentimentos, emoções, valores e visões de mundo não “apareciam” nos dados estatísticos. Assim, muitos pesquisadores começaram a incluir a entrevista como uma estratégia válida para buscar informações.

Segundo Gil (1999), as entrevistas podem ser classificadas em: informais, focalizadas, por pautas e formalizadas. O tipo de entrevista informal é o menos estruturado possível. A entrevista focalizada é tão livre quanto a anterior, porém, enfoca um tema bem específico. 

No caso da entrevista estruturada, ou formalizada, ela se desenvolve a partir de perguntas fixas, cuja ordem e redação permanecem para todos os entrevistados. Por possibilitar também o tratamento quantitativo dos dados, este tipo de entrevista torna-se o mais adequado para o desenvolvimento de levantamentos sociais.

Em nosso projeto de pesquisa sobre os Movimentos da Humanidade no espaço e no tempo: Imigrantes e Refugiados, os alunos do Ensino Médio realizaram uma série de pesquisas com enfoque nos refugiados que estão agora no Brasil.

Após lermos diferentes textos e documentos, assistirmos a documentários e coletarmos informações em órgãos oficiais como ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) e CONARE (Comitê Nacional para os Refugiados), decidimos aprofundar nossos estudos sobre os refugiados em maior quantidade no Brasil e São Paulo: os sírios e congoleses. Além desses dois grupos, incluímos no estudo os haitianos que, embora não sejam considerados refugiados pela legislação, são uma comunidade significativa em São Paulo. 

Para isso, os alunos de todo o Ensino Médio tiveram a opção de se inscrever em um dos três diferentes grupos de estudo, de acordo com seu interesse, para aprofundar seus conhecimentos. Entre outras atividades e metodologias de pesquisa, adotamos a entrevista como uma forma importante de saber mais sobre as causas que motivaram a saída dos seus países de origem, a escolha do Brasil como destino e, principalmente, perguntar como são recebidos pelos brasileiros. 

Tínhamos uma hipótese inicial, baseados no senso comum e em relatos de refugiados que nos visitaram e fizeram palestras, de que os brasileiros são muito receptivos e cordiais com os estrangeiros. Porém, essa receptividade só é oferecida aos brancos e aos que trazem investimentos. Já os refugiados negros e pobres, mesmo sendo capacitados profissionalmente, sofrem com o racismo e o preconceito.

Organizamos um roteiro de entrevista com a intenção de perguntar, ao maior número de refugiados, se nossa hipótese se comprovaria e também para conhecer as emoções, expectativas e sentimentos dessas pessoas que passaram por uma mudança de vida tão significativa e impactante. 

Visitamos, entre outros lugares, a Missão da Paz e Casa do Migrante, na Liberdade. Hoje, 90% dos acolhidos ali são imigrantes e/ou solicitantes de refúgio.



Os resultados dessas entrevistas e tantas outras reflexões e estudos sobre o tema serão apresentados na nossa Exposição anual.

Esperamos por vocês!

Leia também no nosso blog: 

Entrevista: uma situação comunicativa com muito significado

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Reflexões acerca de quem somos: um povo diverso, o povo brasileiro

Por Lia Granado

O Brasil é um país formado por muitos povos - a maioria de nós concorda com essa afirmação. Mas, essa formação não foi e não é tranquila! Por muito tempo vivemos acreditando que o Brasil é um país que acolhe todos os povos de braços abertos e onde não há racismo. Mas, é só dar uma olhada nas notícias para percebermos que não é bem assim. Quando estudamos o Brasil, a formação do nosso povo, uma das funções da escola é a de problematizar e propiciar momentos de discussão acerca de nossa brasilidade, pensarmo-nos como um povo que tem uma cultura riquíssima e problemas da mesma magnitude.

O projeto Regiões do Brasil é um momento em que, no 5° ano, conseguimos discutir muitas destas questões e tantas outras que sempre surgem. Começamos estudando como o povo brasileiro se formou, quais foram as nossas matrizes e como elas se amalgamaram para formar a cultura que temos hoje. Revisitamos projetos que já vivenciamos nos anos anteriores como o dos Povos Indígenas e da África, o que faz com que os alunos tenham como relacionar seus conhecimentos prévios e ampliar seu repertório para pensar essas novas questões propostas.


  “Para os alunos, o tema da Pluralidade Cultural oferece oportunidades de conhecimento de suas origens como brasileiro e como participante de grupos culturais específicos. Ao valorizar as diversas culturas que estão presentes no Brasil, propicia ao aluno a compreensão de seu próprio valor, promovendo sua auto-estima como ser humano pleno de dignidade, cooperando na formação de autodefesas a expectativas indevidas que lhe poderiam ser prejudiciais. Por meio do convívio escolar possibilita conhecimentos e vivências que cooperam para que se apure sua percepção de injustiças e manifestações de preconceito e discriminação que recaiam sobre si mesmo, ou que venha a testemunhar — e para que desenvolva atitudes de repúdio a essas práticas.”

PCN  Pluralidade Cultural – Fundamental I

Em cada região estudada, procuramos conhecer grupos tradicionais daquele espaço, que representam a diversidade cultural gerada internamente em interação com o meio ambiente. Conhecemos os grupos de imigrantes que foram para cada região e como contribuíram com seu trabalho e cultura, ajudando a formar a sociedade brasileira. 

Estudar em uma escola que valoriza a pluralidade e destaca a importância de grupos que muitas vezes são esquecidos durante o estudo tradicional de História faz com que os alunos tenham um grande respeito pelas diferentes manifestações culturais que encontramos no nosso país. Além, é claro, de conseguirem ter uma visão mais crítica sobre temas muitas vezes polêmicos e que tendem a cair no senso comum em nossa sociedade. 

Neste ano, o assunto que apareceu muito em nossas discussões foi a desigualdade social que existe no Brasil. Em nossas rodas, os alunos - que têm 10 anos - se mostraram bastante preocupados e incomodados. Queriam saber como a desigualdade poderia ser resolvida e, aos poucos, foram percebendo a complexidade deste assunto, para o qual não há uma resposta pronta. 

O nosso projeto sobre as Regiões do Brasil veio de encontro com o Projeto Coletivo: Movimentos da Humanidade no espaço e no tempo. Pesquisamos muito sobre a imigração no Brasil, em que contexto histórico ela se deu, como foi a vida dos primeiros imigrantes, suas contribuições e, por fim, discutimos sobre os refugiados hoje. Uma das grandes preocupações é a de nunca perder o caráter humano. Afinal, estamos falando da vida de milhares de pessoas que têm suas aflições, angústias, sonhos e esperanças. Fizemos pesquisas, entrevistas, visitas a museus, mas a Literatura nos ajudou muito e a Arte, como sempre, nos trouxe respostas e algumas dúvidas. Deixo aqui a indicação de três livros, lindíssimos, que discutem de uma maneira muito sensível o ir e vir de muitos povos.

  

Falar do Brasil, da nossa formação como brasileiros, de alguns movimentos migratórios, não é algo fácil! A escola, entretanto, precisa problematizar, propiciar reflexões, propor novos olhares, sem nunca perder a sensibilidade. Só desta maneira poderemos, junto com os alunos, pensar e criar o nosso caminho, um povo em constante mudança.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Semana dedicada ao ENEM

Os alunos do Ensino Médio dedicaram a manhã deste último sábado ao “AULÃO DO ENEM”, um encontro para a resolução de questões pedidas no ENEM, às dicas e processo de construção do texto para a redação, ao conhecimento das mudanças propostas para este ano no exame e às possibilidades de aproveitamento da nota para ingresso no ensino superior.

Divididos em grupos, sob a orientação dos professores das áreas, os alunos resolveram questões selecionadas de acordo com as séries que estão cursando, discutiram as soluções apresentadas e as respostas corretas para cada exercício.

No próximo sábado, com a realização do Simulado para a 2ª e 3ª séries, será o momento de sentir na pele a dureza de um exame com até 5h30 de duração e que se tornou a principal via de acesso ao ensino superior em nosso país.


Praticamente todas as universidades públicas e particulares adotam de alguma forma o Enem como porta de entrada. Algumas como única via de acesso, outras como complemento de seu vestibular, outras, ainda, como primeira fase. São cerca de 500 instituições no Brasil e em Portugal. 

Esta transformação do Enem de um exame opcional e avaliativo do Ensino Médio do país – que servia para ditar as políticas públicas para o setor – em um super vestibular, com conteúdos específicos e abrangência nacional, requer, por parte das escolas, professores e alunos, um olhar mais atento ao exame e suas exigências.

O Enem se compara, hoje, ao Baccalauréat  francês, ao Advanced Level no Reino Unido, ao Bachillerato na Espanha ou ao Abitur na Alemanha, todos exames realizados ao final do curso secundário, que tiram o sono dos alunos e suas famílias, e definem os critérios de aprovação nas universidades de ponta do país.

Enfatizamos com os alunos esta possibilidade de disputar, pelo Enem, vagas em universidades públicas de todo o país e, portanto, fora de São Paulo, ampliando o universo de possibilidades para buscar cursos de excelência dentro da área que pretendem seguir. Até mesmo em Portugal, que tem anuidades bem acessíveis.

Mas, “ir bem no Enem” depende de um projeto de dedicação diária dos professores e de cada aluno ao longo dos três anos do Ensino Médio, da escolha de materiais atualizados e da atenção constante aos temas de atualidades. Não é coisa de última hora ou de uma semana por ano.

Com certeza, toda esta dedicação valerá a pena. 

  

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

MEMÓRIAS AFETIVAS COMPARTILHADAS EM GRUPO

Por Theodora M. Mendes de Almeida

Antes do início das férias, fizemos um convite às famílias de nossos alunos para explorarem juntos a nossa cidade, suas opções culturais e de lazer, com um olhar mais atento, buscando apreender um pouco mais a fundo essas experiências.

Fizemos referência aos projetos e procuramos indicar lugares e eventos que aconteceriam na cidade no mês de julho, como forma de ampliar as possibilidades de aprendizagem e diversão mesmo nos momentos de lazer. Para quem não fosse viajar, a cidade seria ainda um lugar interessantíssimo a desvendar.


O “ócio criativo”, trazido pelo sociólogo Domênico de Masi, complementa a ideia de valorizar o momento de lazer “como uma proposta que visa unir atividades como trabalho, tempo livre e estudo, ou seja, ele é alcançado quando trabalhamos, nos divertimos e aprendemos ao mesmo tempo. A intenção desta mescla é que a criatividade seja mais presente com menos trabalho e mais tempo livre e, assim, nosso tempo seria mais bem aproveitado”.

Se pensarmos em nossas próprias memórias, afetivas acabamos seguindo dois caminhos: ou oferecer aquilo que nossos pais nos ofereceram como forma de garantir experiências prazerosas ou, ao contrário, fazer diferente, no caso de não termos tido boas experiências.

A psicóloga Talita Pryngler fala muito bem sobre isto no blog do site Boraaí:
“Mas para além das dicas de lugares e programas legais queríamos também pensar um pouco mais a fundo sobre o que estamos oferecendo às crianças

Além das vivências e memórias estamos também conduzindo o início das referências culturais das nossas crianças que na maioria das vezes revela a nossa visão de infância, e porque não dizer do mundo. Não que estas escolhas sejam sempre tão conscientes e coerentes, mas elas apontam para algumas direções. Elas falam sobre nossas preferências, nossos desagrados e, principalmente, conversam com a criança que fomos e que ainda permanece viva quando brincamos, ouvimos histórias, assistimos a uma peça ou vivenciamos uma instalação. O brincar e a arte ocupam um lugar de muita importância na vida, porque são espaços de potência e criação, entre nós e de cada um, ao mesmo tempo.”

Antigamente, no retorno às aulas, a tradicional proposta feita aos alunos era: escreva uma redação para contar sobre suas férias. Agora, ao retornarem para a escola, nossa proposta é a de compartilharem em gostosas conversas as experiências, encontrando semelhanças e diferenças interessantes nas vivências de cada um, reconhecendo a diversidade das escolhas e preferências.

Os alunos do Grupo 5 e do 1º Ano levaram o diário de férias e os mais velhos tiveram que registrar o que mais lhes chamou a atenção para compartilharem com os colegas, por meio da escrita e de fotos.



Verificamos nas conversas que muitas das sugestões feitas pela escola foram acatadas pelas famílias e outros lugares interessantes foram revisitados:


- Parque Villa Lobos
- Museu Catavento
- Avenida Paulista e MASP
- Japan House
- SESC
- Instituto Butantã
- Pinacoteca
- Rua 25 de Março
- Arena Corinthians
- Passeio de metrô
- Museu Histórico da Imigração Japonesa
- Mercado Municipal
- Beco do Batman
- Mercado da Lapa
- Museu de Geociência
- Museu de Oceanografia
- Feira do Leste Europeu
- Instituto Tomie Otake
- Ibirapuera
- Parque da Luz
- Centro Velho
- Teatro Municipal
- Vila Itororó
    



Esperamos, assim, ter contribuído com todos para a construção das melhores memórias afetivas.

Acreditamos que todas estas vivências farão ainda mais sentido para os alunos ao relacionarem estas experiências e conhecimentos vividos fora da escola com os estudos e conteúdos propostos em sala de aula.

A finalização do Projeto de cada série será apresentada na exposição deste ano, quando identificaremos as contribuições de muitos povos para nossa formação cultural e na vida da nossa cidade.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Adoramos Museus!

Professoras do Fund 1, Fund 2 e Ensino Médio

Nas últimas semanas, preparamos para os alunos do Fund 1, Fund 2 e Ensino Médio saídas pedagógicas incríveis! Todos foram a Museus especialmente escolhidos para complementar seus estudos e pesquisas previstas nos projetos. Nossa cidade é repleta de museus maravilhosos e cada um deles tem muito o que nos ensinar.

“Você acha que museu é um lugar chato, cheio de coisas velhas e sem graça? Pois se prepare para mudar de opinião. Os museus estão cheios de surpresas!”  Maísa Zakzuk 


E é isto o que a autora do livro MEU MUSEU nos apresenta em sua história sobre as descobertas de uma criança em um museu. E nós concordamos com ela!

Os alunos do 1º ano visitaram o MASP

Para as crianças pequenas, a visita ao museu é bastante desafiadora. Oferecemos a elas a oportunidade de conhecer o MASP, com seu acervo fundamental para a construção dos conhecimentos sobre o patrimônio artístico da humanidade.

Neste projeto – “Quem sou eu, quem somos nós” – nosso fio condutor foi conhecer a origem de cada família e, em seguida, enfatizar o que torna cada uma das crianças únicas também em suas características físicas e emocionais. Um dos recursos utilizados foi buscar na Arte a forma e a técnica usadas por diversos artistas para representar a figura humana em suas obras, quando realizaram seus retratos e autorretratos. 

Na escola já havíamos pesquisado sobre Van Gogh, Renoir, Modigliani e Leonardo da Vinci, que foram nossas primeiras inspirações. Desta forma o grupo foi sendo repertoriado para que a visita fosse ainda mais proveitosa. Sabíamos que no MASP as crianças poderiam observar algumas obras destes artistas. 


Quando lá chegamos, todos se maravilharam quando estiveram frente ao quadro “Rosa e Azul” de Renoir e apreciaram a técnica do artista. Também tiveram grande interesse pelas obras de Modigliani e seu estilo diferente, e reconheceram algumas delas que já haviam servido de inspiração para suas pinturas na escola. 


Observaram a obra “O Carteiro” de Van Gogh e compararam à técnica de Monet, ao verem a obra “Ponte Japonesa”. O tamanho e a perfeição das esculturas de Degas e Brecheret chamaram a atenção, principalmente quando souberam com qual material foram feitas. 


Assim, saímos todos enriquecidos de conhecimento e imagens impactantes.

Professora Patrícia Vasconcellos


Os alunos do 2º ano visitaram o “Pateo do Collégio”

No 2º ano, a visita ao museu do Pateo do Collégio está inserida no projeto São Paulo – ontem e hoje. Ao pensarmos como são formados os bairros de nossa cidade, surge naturalmente a curiosidade por saber como ela nasceu. Para começar a responder a essa curiosidade, lemos o livro “São Paulo, de colina a cidade”, que conta a história dos portugueses chegando ao planalto de São Paulo, onde fundaram, junto aos jesuítas, o nosso primeiro colégio.

Isso bastou para que a visita ao museu fosse a escolha e o momento perfeitos para consolidar e ampliar o conhecimento dos alunos. Lá puderam perceber, admirar, apreciar, discutir e “tornar real” o que viram em textos e imagens na sala de aula. Os alunos apreciaram com um olhar mais profundo e atento as transformações do Pateo do Collégio no decorrer do tempo. Ao escutarem a explicação da monitora sobre o nome dos rios, muitos foram os comentários: “Já sabemos que rio Piratininga significa peixe seco porque o rio transbordava e os peixes ficavam do lado de fora”

A visita ao museu “transborda” conhecimentos... “Olha, que legal ver a primeira parede construída em São Paulo!”.



Professora Gaby Vignati


Os alunos do 3º ano visitaram o Memorial da América Latina

A visita ao museu é, sem dúvida, o momento auge do projeto sobre Os Habitantes das Américas, onde conversam entre si a História e a Arte, ampliando o repertório e o conhecimento individual e do grupo. A saída da escola sempre gera bastante expectativa para o grupo e, desta vez, o 3º ano foi visitar o Memorial da América Latina.

Chegamos ao museu e logo as crianças se depararam com a grandiosidade do lugar (de grande, mesmo!). Durante estas visitas é sempre bom contarmos com imprevistos (por mais planejada que a saída seja). Desta vez, a “Sala dos Atos” estava fechada e não pudemos visitá-la... No entanto, aproveitamos para ir até a biblioteca visitar uma mostra com moedas de todos os países da América Latina, além de uma coleção de todas as moedas já impressas pelo Brasil. Ficaram encantados!

Em seguida fomos ao “Pavilhão da Criatividade”. Logo na entrada, algumas esculturas feitas em madeira chamaram a atenção do grupo. Havia um totem todo talhado na madeira! As crianças logo identificaram e compararam com o que estamos fazendo em classe.

Quando iniciamos a visita, explicamos que iriam ver muitas coisas surpreendentes... Iriam conhecer um mapa, mas não um mapa convencional... E, de repente, se deparam com um mapa tridimensional, que fica no chão e eles puderam observar os lugares de forma nada convencional... 


O encantamento do grupo foi visível! Identificaram os diferentes países estudados no projeto: México, Peru, Guatemala, Brasil. Observaram as diferentes civilizações, Inca, Maia e Asteca.

Olhares curiosos encontrando com conteúdos já abordados em classe... De repente, ouvimos: “Nossa, é assim mesmo que eu imaginava, Débora!”, “Olha, tem deuses aqui... são os Maias e têm Astecas também!”, “Gente, vem cá! Olha a Cordilheira dos Andes!”, “Encontrei Machu Picchu!”, “Tem construção indígena aqui!”, “Onde será que está a Amazônia?”.

Outra coisa que chamou muito a atenção do grupo foi a própria construção do Memorial, projetado por Oscar Niemeyer. A “mão” – símbolo do Memorial – com certeza foi o que mais encantou o grupo.

No final do estudo, perguntamos aos alunos do que eles mais haviam gostado e a resposta foi unânime: ”Foi do mapa, Débora!”.

Professora Débora Rabello


Os alunos do 4º ano visitaram o Museu Afro Brasil



É impossível falar sobre cultura afro-brasileira sem visitar este museu. A cada instalação, os alunos do 4º ano tiveram a oportunidade de conhecer e aprender um pouco sobre a cultura desse povo que muito contribuiu para a formação da sociedade brasileira. 

Iniciamos o trabalho preparando-os para a visita. Voltamos às perguntas levantadas pelos alunos no início do projeto, apresentamos algumas imagens do que encontraríamos e, fazendo algumas relações, mostramos que esta visita nos ajudaria a responder a algumas destas questões.

Visitamos diferentes instalações, mas algumas chamaram mais a atenção dos alunos, as máscaras e as obras de Rubem Valentim: “Algumas máscaras são assustadoras, até dá um pouco de medo...”.
Adoraram a instalação do navio e as obras de Rugendas e Debret, através das quais tiveram oportunidade de conhecer um pouco da história dos africanos: como vieram para o Brasil e como era a vida deles aqui: 

“Fiquei bem impressionada em saber como eles vinham da África e como era a viagem”, “Não acho legal a história de os africanos serem castigados, mas o bom é que eles ensinaram muitas coisas boas para a gente”. Encantaram-se com as imagens dos orixás: “Gostei muito dos orixás... eu não sabia nada sobre eles, achava que era uma tribo ou coisa assim...”, “São lindos! Olha esse aqui, tem a ver com a água, esse com a terra...”, “Cada um está relacionado a um elemento da natureza”.

Encerramos nossa visita participando de uma oficina com Daniel, um congolês que atualmente trabalha como educador no museu,  que nos ensinou algumas  palavras no seu idioma e uma brincadeira típica do seu país...

Essa visita nos proporcionou muito aprendizado; por meio da interação com os objetos expostos e as explicações, os alunos tiveram a oportunidade de “sentir” a história tornando-a, assim, mais significativa.  

Professora Eloisa Liebentritt

Os alunos do 5º ano visitaram, na OCA, a exposição “Modos de Ver o Brasil”


Há quem vá a um museu para apreciar obras, há outros tantos que vão consumir aquele produto cultural, há pessoas que vão para saber mais e existem tantos “hás”, muitas vezes misturados. 

Na última quinta feira fomos nos ver refletidos nas obras de arte da exposição “Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos”. Fomos nos ver enquanto brasileiros, pois aquela exposição reflete justamente isto: a nossa história, quem somos e nos deixa bastante inquietos. 

Para que esta exposição fosse bastante significativa para os alunos, estudamos sobre Niemeyer, visto que as obras conversam a todo o instante com o espaço em que elas estão inseridas: a Oca. Visitamos notícias e sites sobre a exposição, para que os alunos soubessem e ficassem bastante curiosos quanto ao acervo que iríamos visitar. 

Como foi olhar para si mesmo através das obras de Arte? 

Algumas vezes foi muito desconfortável, diante de obras que traziam a exploração indígena e africana.  “Estou desconfortável diante destas fotos”, “Fico triste quando vejo como essas pessoas eram tratadas!” ‘Cruz, credo, era para ser bonito? Me deu medo!”. Conversamos que realmente a nossa história muitas vezes é “desconfortável” e que a curadoria tinha esta intenção quando trouxe esta faceta da nossa história através daquelas obras.  

Outras vezes ficamos cheios de beleza ao olharmos para a obra da Adriana Varejão, que impactou os alunos logo que chegaram ao último andar: “Uau, que lindo!”, “Como fizeram isso? De azulejo, mas é de verdade?”, “Queria levar para a minha casa! É lindo!”.  


Outros momentos foram de reconhecimento... de artistas, que delícia ter a oportunidade de estar diante de obras que já estudamos.  “Gente, gente achei o Rubem Valentim”, “Aquela obra do Vik Muniz que estudamos, mas agora de verdade”, “Não sei, pelas curvas acho que é o Niemeyer. É o Copan”.  


Esses olhares tão ricos sobre o Brasil só foram possíveis de serem feitos de maneira tão complexa, porque foram feitos através da Arte. Somente ela dá conta da nossa complexidade, somente ela dá conta de misturar sentimentos, estética, forma e crítica ao mesmo tempo. Somente ela dá conta de fazer com que nos olhemos, mas nos olhemos de verdade, com tudo o que ser brasileiro é.  

Foi só uma tarde, mas foi muito! Muita aprendizagem, discussão, emoção, diversão e esta experiência vai continuar em nossas aulas, no decorrer de todo o Projeto. Tudo isso, realmente, só uma visita a uma boa exposição traz!
Para saber mais sobre esta exposição:

Professora Lia Granado


Os alunos do Fund 2 e do Ensino Médio visitaram o “Museu do Imigrante”

Desde o início do ano, guando os professores visitaram este museu, esperamos ansiosos pelo dia em que os alunos também o visitariam. Queríamos que sentissem as mesmas emoções e encantamento que sentimos ao encontrar as histórias de nossas famílias.

“O Museu da Imigração do Estado de São Paulo herda do Memorial do Imigrante toda a história de preservação da memória das pessoas que chegaram ao Brasil por meio da Hospedaria de Imigrantes, e o relacionamento construído, ao longo dos anos, com as diversas comunidades representativas da cidade e do Estado.

É no entrelaçamento dessas memórias que se encontra a oportunidade única de compreender e refletir o processo migratório.

Em seu novo projeto museológico, o Museu da Imigração valoriza ainda mais o encontro das múltiplas histórias e origens e propõe ao público o contato com as lembranças daquelas pessoas que vieram de terras distantes, suas condições de viagem, adaptação aos novos trabalhos e contribuição para a formação do que hoje chamamos de identidade paulista".




Fotos, cartas, mapas, objetos, documentos e muita tecnologia encantaram os alunos.


"A história da migração humana não deve ser encarada como uma questão relacionada exclusivamente ao passado; há a necessidade de tratar sobre deslocamentos mais recentes. O Museu da Imigração fomenta o diálogo sobre as migrações como um fenômeno contemporâneo, que não se encerra com o fechamento das atividades da Hospedaria, reconhecendo a recepção dos milhões de migrantes atuais e a repercussão deste deslocamento para a cidade".

Todas estas visitas ajudaram a compor a ideia de aprendizagem significativa, as descobertas e conhecimentos de nossos alunos. Aprenderam, também, a valorizar a Arte e os artistas na sociedade, a importância da manutenção do patrimônio histórico e o prazer por compartilhar estas vivências.

Aproveitamos para sugerir a todos que aproveitem o período de férias para visitar ou revisitar estas maravilhas da nossa cidade, com a família e amigos!

Professora Tania Vasone

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Reflexões, entrevistas e debates sobre os Direitos Humanos e a crise dos refugiados

Por Pedro Mancini, professor de Sociologia e de Atualidades e Política para o Ensino Médio

"A Liberdade guiando o povo" de Delacroix (1831)

A temática dos Direitos Humanos não é recente, sendo especialmente debatida, a nível internacional, após a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948, no contexto do pós-guerra). O momento atual, porém, demanda uma atualização das discussões a esse respeito, pois, como apontado por vários organismos internacionais, vivemos um momento especialmente crítico na luta pela garantia de direitos fundamentais de todos os homens e mulheres: de acordo com relatório publicado pela Anistia Internacional, por exemplo, a atual crise mundial de refugiados é a pior desde a Segunda Grande Guerra – sendo que, apenas entre os anos de 2013 e 2015, 50 milhões de indivíduos ingressaram nessa categoria. Em outras palavras, desde o conflito mais sangrento da história humana não houve tantas pessoas fugindo de seu próprio país – não simplesmente para buscar uma vida melhor, mas por não terem escolha, correndo risco de morte caso permanecessem junto ao seu povo. Esse fato, por si só, aponta para a abrangência e profundidade da crise pela qual passa a luta pelos direitos humanos. 

Reconhecendo a importância de levantar debates, tanto a respeito dos direitos humanos em sua acepção mais abrangente, quanto especificamente sobre a difícil situação dos refugiados espalhados pelo mundo, o Colégio Hugo Sarmento tem envolvido os alunos em discussões consistentes sobre os assuntos em questão. Durante todo o primeiro trimestre, nas aulas de Atualidades e Política, os estudantes do Ensino Médio debruçaram-se sobre a carta da Declaração Universal, utilizando-a para identificar e analisar situações de graves violações aos direitos humanos no Brasil e no mundo (lembrando que a Anistia Internacional também se mostrou preocupada com um recente retrocesso na garantia desses direitos no país nos últimos anos). 

Munidos com informações básicas sobre as discussões em torno dos direitos básicos da Humanidade, os alunos foram divididos em grupos interclasses e participaram de debates específicos: relacionaram os direitos humanos à questão da segurança pública no país; discorreram sobre a violação de direitos de presidiários retidos em condições degradantes; e analisaram situações de violações cometidas por agentes de segurança brasileiros (em especial, por membros da Polícia Militar). Ao final do trimestre, cada grupo escolheu um subtema para se aprofundar, redigindo uma pesquisa sobre um tipo de violação observável no país e sobre os possíveis meios de combate a tais violações. Como destaque, tivemos grupos que analisaram violações a grávidas que optam por partos normais na rede pública de saúde, assim como grupos que escolheram pesquisar situações de violação dentro de presídios que vivenciaram, há alguns meses, conflitos entre facções, resultando em chacinas dentro de instituições que deveriam estar sob proteção direta e contínua do Estado. 

A partir destas estratégias pedagógicas, os alunos apropriam-se de fato sobre o assunto, desenvolvendo argumentações sólidas sobre a situação atual dos direitos humanos nos níveis nacional e internacional e envolvendo-se diretamente com situações práticas reais de desrespeito a esses direitos - com o desafio adicional de elaborarem, de modo autônomo, soluções reais para tais ocorrências.

O trimestre atual, por seu turno, foi dedicado a discussões sobre a condição vivida por refugiados, tanto no Brasil quanto no mundo, além de considerações sobre as legislações de direitos humanos especificamente voltadas para esses indivíduos (o que, por sua vez, levantou debates sobre o quanto, de fato, tal legislação é aplicada pelos governos que recebem os refugiados). 

Recebemos também vários convidados que têm nos ajudado a pensar sobre o tema sob diversos aspectos:
TALAL AL-TINAWI


  • Refugiado vindo da Síria, Talal é engenheiro mecânico. Muçulmano, faz questão de manter os costumes religiosos.
  • Chegou ao Brasil em 2013 com a esposa, uma filha e um filho. Hoje tem mais uma filha, nascida no Brasil.
  • Depois de tentar trabalhar como engenheiro, Talal abriu um restaurante.

   MARCELO HAYDU
       ANTONIO JOSÉ ACOSTA  CRESPO
  • Médico venezuelano, Antonio é pai da nossa aluna Ana Sofia do 4º ano. 
  • Eles chegaram ao Brasil neste ano, buscando condições melhores, saindo da situação política e econômica que se vive hoje na Venezuela.
  • Para poderem trabalhar aqui, a solução melhor para legalizar sua situação foi pedir entrada como refugiados.
  • Os alunos fizeram a entrevista em espanhol, acompanhados pela professora Paz.
Nas aulas de outras disciplinas (como filosofia, sociologia, história, geografia e português que também trabalharam o tema sob a ótica de seu arsenal teórico), essas discussões têm envolvido os alunos do colégio em uma temática social extremamente relevante e atual, estimulando-os a serem agentes de transformação de nossa realidade, instigando-os a desenvolver a empatia necessária para o envolvimento na melhoria real das condições de acolhimento a refugiados no Brasil.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Uma festa de muitas cores!!!

Por Rosana Nunes e João Mendes


De acordo com historiadores, a tradição da festa junina, que vem desde a Idade Média, foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial.

Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da Península Ibérica teria vindo, também, o costume das danças camponesas, como a de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha.  

Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, se misturando aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.  

Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados relacionados às festividades são feitos com este ingrediente. Pamonha, curau de milho verde, milho cozido, canjica, cuscuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos desta mistura de culturas, sabores e tradições europeias, africanas e indígenas 

O tema da festa deste ano se inclui no contexto de nosso projeto: Migrantes, Imigrantes e Refugiados

Aqui no colégio as festas são oportunidade para garantir o contato com os familiares e toda a comunidade escolar, mas também uma forma de fortalecer o aprendizado.

No dia 10 de junho realizaremos a nossa tradicional Festa Junina, valorizando nossos ascendentes, a herança indígena e dos imigrantes representando toda a diversidade que compõe a identidade das pessoas de São Paulo, com muitas cores.


Estamos finalizando os preparativos e a decoração da festa foi inspirada nos azulejos portugueses, nas obras de Alfredo Volpi, no mar da Costa Amalfitana, nas chitas... Fizemos uma grande mistura... Isto é SÃO PAULO!


As crianças poderão brincar muito e se divertir nas barracas de brincadeiras tradicionais.

As danças também representarão a diversidade cultural com uma “pitada” das manifestações culturais de vários países.

G5 e 1°ano
La Bela Polenta/ Penerô Xerém  de Luiz Gonzaga

2°ano e 3°ano 
Saudade do Imigrante Português / Malhão da Alegria/ Que nem Jiló de Luiz Gonzaga

4°ano e 5°ano 
Chegança de Antônio Nóbrega / Maculelê/ Bailando

Fundamental II
Pot-pourri: Quadrilha tradicional/ Tarantella/ Trauner Bockleder/ Aam Bimzah de Najwa Karam/ Meu Brasil Brasileiro de Gal Costa

Ensino Médio
Quadrilha Tradicional 

No final, todos serão convidados a participar da Grande Quadrilha!


Esperamos por vocês!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Se você observar bem, uma crônica acontece ao seu lado. Agora.

Por Conrad Pichler

Esse era o mote para mais uma prática de produção de texto do 8º ano: observar uma situação inusitada, que pudesse ser o “gatilho” para uma história. Gatilho é a situação que deflagra uma crônica narrativa, em suma, o que dá vontade de escrever (ainda que, para alguns autores, o gatilho mais eficiente seja o “deadline”). Depois de encontrar esse assunto, com um punhado de ficção recheada de verdade, os alunos escreveriam uma crônica que pudesse entusiasmar os leitores.




Mas toda a aproximação com este gênero começa bem antes; no início do trimestre, apresentamos aos alunos o livro As cem melhores crônicas brasileiras (Objetiva), organizado por Joaquim Ferreira dos Santos, um apanhado de textos que abrange autores do final do século XIX até autores do insipiente século XXI; de Machado de Assis a Luís Fernando Veríssimo. Eram cem crônicas. O nosso trabalho? Ler, ler e ler!

Nossa curiosidade girava em torno de conhecer como esses autores partiam ou perseguiam uma ideia, uma cena, uma história para construir seus textos, em poucos parágrafos. Logo a primeira constatação: tudo poderia ser matéria de crônicas, os acontecimentos da sociedade, o desencontro de gerações, os encontros de amigos, amores perdidos e achados… no fim, até mesmo a própria crônica e o cronista poderiam ser temas de crônicas.

A partir daí, entendemos que o cronista, o narrador e o autor são irmãos trigêmeos, mas de mães diferentes, ou melhor, de necessidades diferentes. O primeiro nasce de uma necessidade de registrar o tempo, aquele papel que escritores, poetas e jornalistas assumem de sentinelas de suas gerações (e antenas de seu povo); o segundo nasce da necessidade de dialogar com o leitor, a voz do texto que narra e comenta acontecimentos vividos ou inventados para o outro; o terceiro é uma figura misteriosa, às vezes parece-se com as outras duas, às vezes não, o que sabemos é que o autor escolhe os melhores recursos textuais à sua disposição para escrever seus textos.

E os textos das crônicas são muito variados, justamente porque há muitos estilos, muitas construções possíveis, muitos assuntos. O que observamos é que o a crônica, pouco a pouco, deixa seu papel de registrar os grandes acontecimentos do ponto de vista subjetivo e torna-se uma ferramenta poética para a poesia dos pequenos gestos, pensamentos, dos infinitamente minúsculos fenômenos... e, claro, uma ode ao bom humor, à sátira, à galhofa.

É dessa forma que a crônica se mantém jovem depois de séculos: rindo com o leitor e rindo de si mesma.

Assim reencontramos os alunos pesquisando um tema para suas produções, eles foram convidados à circular pela Livromania, no início de abril, para encontrar um gatilho. Para encontrar um motivo para escrever, mas sabe o que eles aprenderam de verdade? A vida, a poesia, não se revela facilmente. A frustração foi tema de alguns textos, mas também esta não é uma etapa significativa da vida e parte constante do cotidiano de todos nós? Então registramos essa e muitas emoções como memória, como história e como estória.