quarta-feira, 24 de maio de 2017

“Cuéntame un cuento distinto”

Por Paz Picos

En las clases de lengua española de 6º grado desarrollamos el proyecto “Cuéntame un cuento distinto” a lo largo del primer trimestre. Los cuentos clásicos elegidos contienen elementos comunes del imaginario de nuestros alumnos, lo que proporciona que el desarrollo del vocabulario, las expresiones y la gramática, en la redacción de un cuento infantil original en idioma español, sea más cercano al mundo del alumno.

En un primer momento trabajamos la creatividad y la libertad de escritura sin correcciones, para que los alumnos no se sintieran desmotivados porque no conocían la sintaxis o el léxico. Lo importante en esta etapa era acercarlos al idioma con gusto por el contenido, sin que se preocuparan con las estructuras y así poder desarrollar las destrezas lingüísticas y consolidarlas. En este momento, utilizamos dos recursos: 

- Un libro disponible en la biblioteca del colegio, “Un pequeño inconveniente”, porque, además de tener pocas páginas, está escrito en formato de cartas, género de fácil comprensión para el alumnado de 6º grado.



- Investigaciones sobre los cuentos infantiles en internet para acercarlos al tema del proyecto.

Sabiendo que uno puede equivocarse para poder aprender, partimos para la lectura de cuentos en lengua española. Empezamos leyendo Blancanieves durante la clase. Después de leer en grupo, uno de cada vez, se discutieron las similitudes y las diferencias entre los cuentos en portugués, que los alumnos ya conocían, y el cuento presentado. Además de la discusión, se abrían las posibilidades de otros finales, que cada alumno desarrollaba en clase y escribía en casa. La lectura y corrección de los distintos finales se hacía siempre en la clase siguiente. De esta forma, se trabajó la gramática y el léxico necesarios para la redacción final del cuento. También fueron trabajados los siguientes cuentos: Caperucita roja, Los tres cerditos, Cenicienta y El Gato con Botas.


  
Los alumnos fueron leyendo y desarrollando la creatividad y las destrezas en la lengua española en cada clase. Estando ya preparados para escribir sus propios cuentos, los alumnos eligieron los personajes, el tema central, el escenario y, cómo no, las ilustraciones, porque los dibujos desempeñan un papel fundamental en la comprensión y fijan conceptos en la memoria. 

“Irineo, el mosquito”, “La casa con vida”, “La perra CJ”, “Las alas de Joshua”, “Tairone y su búsqueda”, “Johnny y los cazadores del unicornio” son los títulos de los cuentos creados por los alumnos. 

 

 


Y colorín colorado este cuento se ha acabado.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Estimulando o espírito investigativo desde sempre: "O projeto brinquedos e brincadeiras indígenas no Grupo 5”

Por Vivian Gouvea


No Grupo 5, as crianças puderam conhecer e se aprofundar em um tema muito importante para a nossa identidade cultural: a maneira como os índios vivem. Todos ficaram encantados com o que descobriram e vivenciaram ao longo deste trimestre.

O tema escolhido propiciou o estudo que envolveu diversas áreas do conhecimento, entre elas as Ciências Sociais, a Linguagem e as Artes.

Iniciamos o trabalho fazendo um levantamento das brincadeiras preferidas do grupo e constatamos que a preferência era por aquelas que envolviam água (piscina e mar), faz de conta, dinossauros, carrinhos e bonecas. Além destas, apareceram outras: pega-pega, esconde-esconde, corrida, andar de patinete e bicicleta, brincadeiras mais complexas que demonstram seu interesse por desafios, típicos desta faixa etária.

Em seguida, perguntei se todas as crianças brincavam da mesma maneira. Disseram-me que não: “Em São Paulo não conseguimos brincar no mar porque não tem praia”. Então, pensamos também sobre as brincadeiras de outros tempos e para ilustrar retomamos a obra de Cândido Portinari. Observamos algumas de suas pinturas que retratam as brincadeiras da infância, já vistas em outro projeto quando ainda estavam no grupo 4, e apresentei outras ainda não apreciadas. 

Aproveitando o interesse e observando diversas imagens, perguntei: “Será que as crianças indígenas brincam como vocês?” Do que será que elas brincam? Como são os espaços que elas brincam? E as indagações foram as mais diversas: “Elas brincam de correr e de subir nas árvores”, “Também nadam nos rios”, “Brincam com bola de plantas”, “Na floresta tem mais espaço para brincar”, “Brincam com tabuleiro de folha marcando X ou O”.

Aos poucos, introduzi informações e vivenciamos um repertório muito gostoso de brincadeiras indígenas, sendo a prática lúdica a base das atividades realizadas. Brincar de peteca, corrida da tora, arranca mandioca, gavião e os passarinhos, corrida em um pé só, cama de gato, chicote queimado, dentre outras, proporcionou ao grupo uma experiência singular, aguçada por meio do exercício do faz de conta e da compreensão dos valores e atitudes de cada brincadeira. 

As pesquisas foram ampliadas e tive o cuidado de selecionar diversos materiais (objetos, fotos, livros, vídeos, lendas, e sites da internet como http://pibmirim.socioambiental.org, que retrata o mundo indígena para as crianças explorarem e entrarem em contato com a cultura. Além disso, recebemos boas contribuições de materiais das famílias, outro momento de troca bastante rico.

Procurei estimulá-las a apreciar, procurar informações, aprender e observar semelhanças e diferenças desse universo tão rico, que é próximo e distante ao mesmo tempo da nossa vivência. 


Pesquisamos sobre as pinturas corporais, que tanto encantaram o grupo, a maneira que os índios preparam as tintas com urucum, argila e jenipapo com o carvão. Produzimos tintas, apenas com água e urucum e fizemos pinturas tanto em papéis, como no corpo. 

Conhecemos um pouco do artesanato, a confecção de cestos, colares, pulseiras, instrumentos musicais, cocares e bonecos, conhecidos na língua indígena como “licocós” que são feitos de argila. 

Outra situação de enorme vibração e significativo para o grupo, foi a da leitura das lendas indígenas (Guaraná, Mandioca, Vitória Régia...). As crianças se interessaram bastante por esta proposta, todos os dias pediam para ouvir uma lenda nova e se atentavam aos detalhes . 


Também preparamos e saboreamos alguns alimentos típicos da cultura indígena o suco de guaraná, de açaí, mandioca cozida e tapioca. Além disso, as crianças sugeriram que fizéssemos bolo de milho e mandioca. Todas as receitas foram aprovadas por eles! 


Assistimos ao filme, “Tainá, a Origem”, a narrativa de uma índia que mora na Amazônia. Tive como objetivo oferecer a oportunidade de reflexão e comparação do modo de viver dos índios e dos nossos. Mais descobertas sobre o tema aconteceram após o filme, e nossas conversas em relação ao tema do projeto foram se ampliando: “Os índios moram nas florestas e lá tem muitos animais, deve ter uns mil e trinta, que é mais que mil!”. “Os índios comem açaí!”. “A Tainá canta para espantar o medo. “A Tainá é a menina mais corajosa que eu já vi!”

Muitas foram as observações levantadas espontaneamente; as crianças foram estimuladas a aprimorar capacidades comunicativas como a fluência para falar, perguntar, expor ideias, dúvidas e curiosidades, além de aprender a esperar, ouvir e respeitar a sua vez, podendo, desta forma, ampliar o vocabulário e aprender a valorizar o interesse de cada um com a troca e aprendizagem.  

Nas aulas de música, cantamos também algumas canções que fazem referência aos índios: “Indiozinhos”, “A canoa virou”, “Toque patoque” e “Tupi”. Em algumas aulas os alunos trouxeram maracás e outros instrumentos associados aos índios, que usamos para acompanhar essas canções. Construímos juntos um pau de chuva,  feito de um tubo comprido, palitos atravessados em espiral e miçangas. Fizemos um rodízio para que todos pudessem levar este instrumento sonoro para casa e compartilhar com os familiares.

Assim, por meio do projeto estimulamos e desenvolvemos a empatia. Este tema é revisitado em vários outros anos escolares, com propostas de reflexão e aprofundamento diversos, mas é aqui que tudo se inicia...

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Recuperação

Fim de trimestre, hora de recuperar o que não foi aprendido. Mas como?

Antes de iniciar o ano letivo, toda a equipe pedagógica está a todo vapor estudando e trabalhando para receber seus alunos. Esse período de preparação, ou seja, o preparo da ação no dia-a-dia está carregado de afetividade e expectativas para o desenvolvimento dos alunos. 

As aulas, enfim, se iniciam e a escola atua em movimento para que seus alunos possam aprender ao máximo e o respeito ao tempo de cada um faz parte desse processo de ensino-aprendizagem. 

Porém, no decorrer do trimestre, todo o empenho e intervenção dos professores e coordenação nem sempre são suficientes para que alguns alunos, naquele espaço de tempo, aprendam determinado conteúdo ou procedimento. O que fazer então?

A avaliação é um processo constante em nossas vidas. Nas interações do nosso cotidiano, em casa, em nossa vida profissional, no lazer...  A avaliação sempre está presente e inclui um valor sobre nós mesmos, sobre o que estamos fazendo e também sobre o resultado de nossos trabalhos. 

Em algum momento do transcorrer de nossas ações estaremos nos avaliando, mesmo que informalmente, com nossas impressões e sentimentos.

No âmbito escolar a avaliação é formalizada, contínua, programada e cuidada. Além disso, abrange diferentes olhares: o aproveitamento do aluno, seu crescimento e desenvolvimento de habilidades e competências, rendimento diante do planejamento escolar, suas interações, realizações das atividades planejadas, contribuições em aula, esforço na superação de desafios, aprendizagem de novos conceitos , envolvimento em projetos.

E é assim que a avaliação faz parte do cenário da sala de aula, uma prática constante que se mistura nesse processo ensino-aprendizagem.

Os estudos de recuperação, por sua vez, ampliam o tempo para que essas expectativas iniciais possam ser realmente alcançadas. Surgem, então, novas observações e questionamentos: Quem são esses alunos? O que precisam para aprender determinados assuntos? Quanto tempo será investido? 

O processo de recuperação da aprendizagem vai além das notas necessárias para atingir a média do trimestre; o nosso foco se dá nos saberes e habilidades necessárias para uma aprendizagem efetiva e, por isso, durante as aulas os professores ficam atentos às potencialidades e dificuldades dos alunos e usam diferentes estratégias para que os alunos aprendam.

Quando as diferentes estratégias usadas não são suficientes para garantir a aprendizagem do aluno, acionamos um novo plano de ação mais individualizado que é a chamada recuperação. Ela fará parte de um processo evolutivo de aprendizagem para os convocados, e é mais uma oportunidade para que a aprendizagem possa acontecer. 

O nosso objetivo é garantir diferentes planos de recuperação para que possamos dar conta da diversidade dos alunos e criar condições para que possam reconstruir o conhecimento. Para isso, realizamos diferentes agrupamentos para os alunos do Fundamental 1, no período contraturno: grupos para garantir a alfabetização e grupos para regulação e solidificação de conteúdos mais específicos na área da matemática e português.

Estes momentos de encontro mais individualizados serão uma oportunidade para aqueles que tiveram dificuldade para compreender determinados conteúdos durante o percurso.

O apoio dos pais é de extrema importância no processo, pois não podemos desconsiderar fatores emocionais e familiares que acabam refletindo na aprendizagem dos alunos. 

No Fundamental 2, a recuperação que ocorre ao final do trimestre precisa ser um período de retomada de conteúdos; de aperfeiçoamento e ampliação de habilidades e de competências; de aprimoramento da postura de estudante. Ou seja, é um período de novas oportunidades para um aluno que, por um motivo ou outro, deixou de atingir algum (ou alguns) objetivo(s) do trimestre. Mesmo havendo a recuperação contínua ao longo do trimestre, alguns alunos ainda demonstram a necessidade de uma atenção extra.

Nessa questão, a decisão é unânime entre a equipe: é preciso planejar formas de recuperar, prioritariamente, as defasagens das aprendizagens e não somente as notas que estão abaixo da média estipulada pela escola. 

Durante esse período de estudos, os professores e a equipe de Coordenação e Orientação estarão à disposição desses alunos para acompanhar o processo e ajudar nas dúvidas que forem surgindo. O envolvimento dos alunos nesse programa é de extrema importância, pois acreditamos que é por meio de um trabalho organizado e reflexivo que os alunos podem, gradativamente, conscientizar-se de suas dificuldades e de suas responsabilidades como estudantes.

O Ensino Médio também conta com um processo de recuperação calcado nos objetivos pedagógicos de cada trimestre. Desse modo, cada professor elabora um plano que contém tanto novas atividades avaliativas, como listas de exercícios ou pesquisas conceituais, quanto novas provas – de acordo com os métodos que se mostrarem mais eficientes para garantir a retomada dos conteúdos, habilidades e competências demandadas naquele trimestre e para aquela disciplina em específico. 

Para garantir o sucesso desta proposta associado à estratégia já consolidada em sala de aula, é necessário conhecer o perfil do estudante em recuperação, refletindo sobre suas reais dificuldades práticas e analisando os modos mais favoráveis de se garantir o aprendizado caso a caso – de modo que ocorra uma recuperação real do estudante com a mobilização favorável de suas melhores habilidades (e o estímulo a habilidades que precisam ser melhor trabalhadas) para garantir o sucesso escolar. 

Desse modo, o temido processo de “recuperação” de antigamente afasta-se do papel superficial de “segunda chance de nota”, rumo a uma ferramenta verdadeiramente pedagógica, fortalecedora de um olhar individual e atencioso sobre o estudante, potencializador de habilidades e aliado prático de aprendizagem permanente.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Mais do que medalhas

 Por Regina Côrte

Números, equações, aritmética, álgebra, geometria. Poucos são os que gostam de estudar esses conteúdos na escola. Por conta exatamente disso, a Olimpíada Internacional de Matemática Sem Fronteiras, realizada anualmente desde 1989 (O Brasil participa desde 2010), com provas a partir do 4º ano do Ensino Fundamental até o 3º ano do Ensino Médio, tem o objetivo de ajudar os professores a estimular o interesse de seus alunos pela disciplina. São aproximadamente 30 países participantes e quase 250 mil alunos inscritos.

Em troca, os participantes têm a chance de receber medalhas e menções honrosas. Só isto? Não.

Mais do que prêmios, as Olimpíadas proporcionam aos estudantes e professores novas descobertas, ideias, técnicas e conhecimentos. Haja vista que a decoreba não costuma fazer parte desse processo; quem usa a criatividade costuma se sair melhor, já que a competição estimula a imaginação e a formalização de situações do cotidiano, a cooperação entre os grupos, o raciocínio crítico, criativo e independente do aluno.

A proposta vem desmistificar a ideia de a Matemática ser uma matéria difícil, colocada há muito tempo na mente da maioria das pessoas. São desafios aos alunos, trabalhados de forma lúdica e prazerosa (e não podemos negar que estes geralmente são divertidos) na construção do conhecimento, focando na sua aplicação ao trilhar por um caminho que ele mesmo tenta construir, onde faz inferências, levanta hipóteses e tira suas conclusões de maneira independente, socializando resoluções, interagindo com outros colegas e, assim, estimulando o espírito de equipe.


 

O trabalho em equipe é o grande foco dessa proposta, pois os alunos têm a oportunidade de definir a atuação coletivamente, por meio de diálogo, descobrindo qual a melhor contribuição que cada um pode oferecer. Além disso, garante a integração e a responsabilidade mútua, sendo que todos precisam estar dispostos para a tomada de decisões. 

É o segundo ano que os alunos são convidados a participar deste evento, que acontece anualmente. Neste ano contamos novamente com o envolvimento e a participação dos alunos, desde o 5º ano até o Ensino Médio. Durante os meses de março e abril, fizemos várias atividades similares (provas de anos anteriores disponibilizadas no site), como forma de conhecer o estilo da prova e acreditamos que isso tenha mostrado a cada um deles que a participação de quem não é considerado “excelente” em Matemática, também é possível. 


Durante a aplicação das provas foi muito bacana assistir a dedicação e a empolgação das equipes com os problemas e as tentativas de solução por diversas formas diferentes, seja usando simplesmente a lógica, lembrando-se de situações vividas em sala, tentando aplicar fórmulas aprendidas e até dividir as tarefas quando consideraram necessário. 

Para nós, o grande objetivo, ao proporcionar a participação de nossos alunos neste evento, foi estimular o conhecimento e a paixão pela Matemática, pelo raciocínio matemático e suas aplicações, pelo empenho em trabalhar em equipe e compartilhar saberes.

Os resultados serão divulgados até 19 de junho de 2017!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Preservar é importante... Mas por quê?

Por Eloisa Liebentritt

Quando começamos as conversas com as crianças sobre preservação do ambiente, imediatamente se referem à ideia de não cortar árvores, mas, será que é só isso mesmo? Será que somente isso é o suficiente para termos uma vida com mais qualidade?

Sim, é preciso preservar para continuarmos existindo, bem como todas as espécies de nosso planeta, afetado por vários problemas ambientais, muitos deles provocados por diversas ações humanas. O fato de não cortarmos árvores é apenas uma ação dentre outras tantas necessárias. Acreditamos que é preciso observar para conhecer e, assim, ressignificar espaços.

"Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade." (Política Nacional de Educação Ambiental - Lei nº 9795/1999, Art 1º)

Com o objetivo de despertar em nossos alunos uma ampla consciência ecológica, uma mudança de olhar para a realidade ambiental, a turma do 4º ano vem realizando estudos a partir de observações no entorno do colégio, análises no laboratório e discussões sobre a conservação do meio ambiente.

Aliado ao conteúdo de Ciências Naturais, onde estudam a morfologia e o desenvolvimento das plantas, pretendemos promover o entendimento de como funciona o sistema integrado:

solo > água > planta > atmosfera

 

 

Iniciamos o trabalho com a seguinte pergunta:

Por que as plantas são importantes? Rapidamente respondem que são importantes porque “fazem” o ar para a gente respirar...

Mas como? Começam, então, um trabalho de observação e descobrem que as plantas têm outras funções e que participam da nossa vida de diferentes maneiras:

•  Servem de alimento,
•  Abrigo para os animais,
•  Proporcionam sombra, nos dias quentes,
•  Embelezam ambientes,
•  Estão no sobrenome das pessoas,
•  Indicam a passagem do tempo (primavera, outono), entre outros...

Paralelamente promovemos alguns estudos de campo com a missão de estimular a observação de diferentes tipos de árvores encontradas em praças, parques, calçadas... E, como resultado, os alunos chegaram a algumas conclusões:

  Existem muitos tipos de árvores, nas praças elas são maiores do que nas calçadas.
• Tem algumas árvores que são tão grandes que batem nos fios e não deveriam estar plantadas nas ruas.
•  Percebi que em alguns lugares as árvores são mais cuidadas que em outros.
•  Algumas árvores quebram as calçadas porque suas raízes são muito grandes. 
• Na praça em que eu fui tudo era bem cuidado, tinha até saquinhos para recolher a “sujeira” dos cachorros...

Começamos a promover novas reflexões e questionamentos a partir dos conhecimentos já adquiridos sobre a função de algumas partes das plantas, pesquisas e observações:

  Atualmente, quais problemas ambientais enfrentamos?
•  Como nossas atitudes contribuem para isso? 
•  Plantar árvores resolve esses problemas?
•  Qual a relação entre as plantas e a diminuição da poluição do ar? 
•  Todas as árvores são próprias para o plantio nos centros urbanos?
•  Que tipo de problema uma árvore que não é própria para a cidade pode causar?

A partir dessas discussões tão potentes, os alunos começaram a relacionar diferentes situações com alguns problemas ambientais que veem no dia a dia e em noticiários. 

Partindo para uma ação mais efetiva, os alunos do colégio se uniram com a comunidade do bairro e os agentes do SOS Mata Atlântica para uma caminhada no Dia Mundial da Água.

Além de abordar a manutenção da qualidade da água de nossos córregos para a preservação da vida em nossa cidade e conhecer o trabalho realizado na horta comunitária da Praça das Corujas, também tiveram a oportunidade de realizar o primeiro trabalho comunitário na questão da sustentabilidade. 


Acreditamos que a problematização, a reflexão sobre o estilo de vida e ações comunitárias são caminhos que permitem construir novas posturas e novas percepções sobre a natureza, para que se tornem cidadãos conscientes e agentes transformadores na sociedade!

                                     Imagem: Armandinho

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Todos somos inteligentes

por João Mendes de Almeida Jr

Quem nunca ouviu falar de QI (Coeficiente de Inteligência), testes que classificavam as pessoas de acordo com seu desempenho em questões lógico-matemáticas, motivo de comparações e de orgulho ou de vergonha para quem se submetia a eles.

A partir da década de 1980, entretanto, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Harvard, liderados pelo neurocientista Howard Gardner, desenvolveu uma teoria segundo a qual na verdade todos nós possuímos diferentes inteligências. Inteligências Múltiplas que se inter-relacionam entre si e apontam e propiciam nosso sucesso na resolução, envolvimento e desempenho em problemas e tarefas diversas. Ainda que tenhamos vários componentes inatos, em certo grau, podemos desenvolver tais inteligências que, em certa época ou momento de nossas vidas, se fazem mais necessárias. 

Gardner difere as inteligências de simplesmente talento, que seria um superdesenvolvimento de alguma das inteligências em alguns indivíduos, e dividiu as Inteligências em grupos:



Lógico-matemática 
A capacidade de confrontar e avaliar objetos e abstrações, discernindo as suas relações e princípios subjacentes. Habilidade para raciocínio dedutivo e para solucionar problemas matemáticos. Cientistas possuem esta característica. Caracterizadas pelo gosto e pela competência na interpretação e na categorização dos fatos e da informação, no cálculo, no raciocínio lógico e na busca de explicação para tudo. Sentem-se desafiadas perante problemas envolvendo raciocínio, que procuram resolver de forma metódica e persistente. Divertem-se a resolver os “quebra-cabeças” das revistas e dos jornais, entre outros.

Linguística
Caracteriza-se por um domínio e gosto especial pelos idiomas e pelas palavras e por um desejo em os explorar. É predominante em poetas, escritores, e linguistas, como T. S. Eliot, Noam Chomsky, J. R. R. Tolkien, Fernando Pessoa, Machado de Assis, Haruki Murakami.

Musical
Identificável pela habilidade para compor e executar padrões musicais em termos de ritmo e timbre, mas também escutando-os e discernindo-os. Pode estar associada a outras inteligências, como a linguística, espacial ou corporal-cinestésica. É predominante em compositores, maestros, músicos, críticos de música como por exemplo, Ludwig van Beethoven, Leonard Bernstein, Mozart, Maria Callas e tantos outros

Espacial
Se expressa pela capacidade de compreender o mundo visual com precisão, permitindo transformar, modificar percepções e recriar experiências visuais até mesmo sem estímulos físicos. É predominante em arquitetos, artistas, escultores, cartógrafos, geógrafos, navegadores e jogadores de xadrez, como por exemplo, Alexander von Humboldt, Michelangelo, Frank Lloyd Wright, Garry Kasparov, Louise Nevelson, Helen Frankenthaler, Oscar Niemeyer, Marco Polo.

Corporal-cinestésica
Traduz-se na maior capacidade de controlar e orquestrar movimentos do corpo. É predominante entre atores e aqueles que praticam a dança ou os esportes, como por exemplo Ronaldo, Kaká, Marcel Marceau, Martha Graham, Michael Jordan, Eusébio, Messi, Sébastien Loeb.

Intrapessoal
Expressa na capacidade de se conhecer, é a mais rara inteligência sob domínio do ser humano pois está ligada a capacidade de neutralização dos vícios, entendimento de crenças, limites, preocupações, estilo de vida profissional, autocontrole e domínio dos causadores de estresse, entre outros diversos comandos de vida que permite a pessoa identificar hábitos inconscientes e transformá-los em atitudes conscientes.

Interpessoal
Expressada pela habilidade de entender as intenções, motivações e desejos dos outros. Encontra-se mais desenvolvida em políticos, religiosos e professores, como por exemplo Mahatma Gandhi, John F. Kennedy e Silvio Santos.

Naturalista
Traduz-se na sensibilidade para compreender e organizar os objetos, fenômenos e padrões da natureza, como reconhecer e classificar plantas, animais, minerais, incluindo rochas e gramíneas e toda a variedade de fauna, flora, meio-ambiente e seus componentes. É característica de biólogos, geólogos mateiros, por exemplo. São exemplos deste tipo de inteligência Charles Darwin, Rachel Carson, John James Audubon, Thomas Henry Huxley.

Existencial
Investigada no terreno ainda do "possível", carece de maiores evidências. Abrange a capacidade de refletir e ponderar sobre questões fundamentais da existência. Seria característica de líderes espirituais e de pensadores filosóficos como por exemplo Jean-Paul Sartre, Søren A. Kierkegaard,  Alvin Ailey, Margaret Mead, Bento XVI e o Dalai Lama.

Um exemplo mais óbvio e frequentemente citado é o de que o físico Stephen Hawking e o craque do futebol Leonel Messi possuem grandes inteligências, mas em campos diferentes.


Este estudo levou a uma grande movimentação no meio educacional nos últimos 30 anos, sobretudo nas questões relativas ao processo de ensino-aprendizagem, levantando a tese de que, se há diferentes inteligências, há diferentes formas de aprender e, portanto, o professor deve buscar diferentes formas de ensinar alunos diferentes.

Assim, cada professor deve, a fim de atender às características de seu grupo, procurar estratégias e metodologias variadas para conseguir ensinar os mesmos conceitos e conteúdos de formas diferentes.

Segundo a professora ADRIANGELA BONETTI, no texto Inteligências múltiplas: como potencializá-las em sala de aula, “a escola não deveria se omitir de realizar um trabalho mais sensível às necessidades e inteligências dos alunos, escudando-se no vestibular. É fato que muitos dos nossos alunos seriam bem melhor sucedidos no campo profissional se tivessem suas habilidades bem desenvolvidas, por meio de um planejamento escolar docente que levasse em conta as múltiplas inteligências.” (http://diversa.org.br/artigos/inteligencias-multiplas-como-potencializa-las-sala-aula/

Como toda teoria, embora aparentemente lógica, sua aplicação não é plenamente aceita, e recentemente um importante grupo de pesquisadores internacionais, muito embora reconheça a existência das inteligências, refuta seu uso como prática pedagógica.

Todo o foco das transformações e reformas do ensino por que vem passando a educação no mundo e, também no Brasil, está no desenvolvimento de diversas competências e habilidades, mais do que nos conteúdos propriamente ditos.

Ainda assim, o autoconhecimento de nossas Inteligências nos permitirá fazer escolhas mais concretas e a buscar um aperfeiçoamento nas áreas onde gostaríamos ou precisaríamos desenvolver.

Este é o trabalho que estamos realizando este ano com a turma da 1ª série do Ensino Médio na área de Projetos Especiais.


A partir da aplicação de um questionário individual, levantamos as características de cada um e do grupo e, então, em cada aula estamos mostrando as possibilidades de desenvolvimento das inteligências e de como estas se inter-relacionam. 
Como, por exemplo, a matemática ajuda em uma composição musical e vice-versa ou de como a identificação de uma inteligência interpessoal elevada pode levar a escolhas profissionais futuras nas áreas de relacionamento ou psicologia.

Temos procurado utilizar temas e diferentes estratégias de aula a fim de contemplar todas as inteligências pesquisadas, utilizando textos jornalísticos e crônicas, desafios matemáticos, vídeos, TEDs, jogos musicais ou o Dia Mundial da Água como tema, entre outros, evitando apenas as definições preestabelecidas.

Passada esta fase de autoconhecimento, nosso objetivo é levar o grupo a criar projetos sociais coletivos, de orientação profissional e de estudos que possam ser realizados pela interação e contribuição de cada um e de cada inteligência.

quarta-feira, 29 de março de 2017

NOSSA BIBLIOTECA É SUA BIBLIOTECA

Por Theodora M. Mendes de Almeida – Tica

A Biblioteca da nossa escola leva o nome de minha mãe “Patrícia Helena Mendes de Almeida”, fundadora de nossa escola e também a maior leitora que já conheci.

Ela tinha uma estratégia muito particular de nos estimular a ler, a mim, aos meus irmãos, aos seus alunos e a qualquer pessoa que estivesse ao seu lado. Ela começava assim: “Estou lendo um livro maravilhoso, que conta sobre... tenho certeza que você vai adorar ler também...” E assim ela ia espalhando seu amor pelos livros. 

Aqui na escola a biblioteca é um ponto central de encontro, todos podem estar ali para ler, pesquisar, ou simplesmente estar com os colegas em meio aos livros.


Quanto melhor uma criança lê, mais ela gosta de ler; quanto mais hábil na leitura, mais autonomia tem para buscar os livros como fonte de conhecimento e prazer.”  disse o editor da Companhia das Letrinhas, numa publicação intitulada Caderno de Leituras. Concordo plenamente.


No mesmo material: “A escola tem a tarefa institucional de garantir que os estudantes se tornem usuários efetivamente hábeis do sistema de representação escrita, pois saber ler e escrever é condição indispensável ao exercício pleno da cidadania. E, juntamente com ensinar a ler para aprender, é preciso também ensinar a ler por ler.”


Muitas são as estratégias que utilizamos para incentivar nossos alunos: as rodas de história, momento muito esperado na Educação Infantil, as leituras compartilhadas no Fund. I, hora de ouvir a professora como modelo de leitor e de compartilhar com os colegas as emoções do texto. Visitar e receber os autores dos livros são também oportunidades de eternizar as memórias, que sempre oferecemos às crianças. Imagine ouvir do próprio João Carlos Marinho como foi que criou o querido livro “O Gênio do Crime”.


A partir do Fund. II, as discussões vão ficando mais complexas sobre o gênero literário, as intenções do autor, as reflexões que provocam determinado trecho, comparamos versões e reconhecemos estilos. Vamos aos poucos identificando as preferências dos alunos e oferecendo mais opções de leitura.

Acreditando ainda que o professor que ensina a ler é, também ele, um leitor, uma pessoa para quem a leitura é intimamente necessária; estamos sempre os incentivando a ler mais, fazendo troca de livros e de indicações. 


A Livromania tem sido, nos últimos anos, momento para celebrarmos juntos o amor pela Literatura, cultivando em cada um – alunos, pais e convidados – boas memórias literárias.

Nossos convidados, autores, ilustradores, contadores de história, nos auxiliam a multiplicar este interesse e a incentivar o hábito de ler por prazer.

Esperamos por todos vocês neste sábado!

Também queremos que mães e pais se sintam curiosos para ler os livros da nossa biblioteca e compartilhar emoções com seus filhos durante todo o ano, nossa Biblioteca é sua Biblioteca.  Tenho certeza que vocês vão adorar... como diria minha mãe.

quarta-feira, 22 de março de 2017

A leitura de rótulos de alimentos como fonte de pesquisa e de crítica

Por Rosana Maria Dell’Agnolo, Simone Violante, Lia Granado e Marcos David Muhlpointner

Rótulos no dia a dia: Basta ler ou devemos entender? Queremos formar indivíduos preparados para gerirem suas vidas no ambiente em que vivem com critérios amplos de conhecimento. 

Os alunos da 2ª série do EM foram surpreendidos com um café da manhã na aula de Biologia para introduzir o tema sobre alimentos, nutrientes e substâncias químicas nos seres vivos.


Nas aulas de Química, um recorte interessante é o estudo e interpretação dos rótulos de alimentos, remédios, produtos de limpeza, entre outros.

Na busca deste objetivo, os alunos da 2ª série do Ensino Médio fizeram uma visita ao supermercado “Natural da Terra”, próximo à escola, para uma pesquisa em grupo sobre rótulos dos produtos.


 

O aluno pergunta “...para que rótulo nos alimentos?”. O rótulo vai orientar o consumidor sobre a quantidade e a qualidade dos constituintes nutricionais do alimento, a presença de componentes que podem provocar alergias ou doenças adquiridas na alimentação, favorecendo, então, uma escolha apropriada. Dessa forma, o aluno percebe que um rótulo não faz parte apenas do cotidiano dos químicos, médicos, farmacêuticos ou empresas de fiscalização mas, também, tem grande importância para o consumidor. A química torna-se, então, parceira dos alunos ao trazer seus conteúdos de série ao projeto “Rotulando”. E isto foi só o começo.


O estudo dos rótulos dos alimentos faz parte da vida das crianças logo nos primeiros anos. Elas abrem suas lancheiras e lá está aquele monte de informações escritas. Nas aulas de Ciências Naturais do 5º ano, durante o projeto Nutrição, em diversos momentos trabalhamos com os rótulos. Começamos desvendando a tabela nutricional e, por meio dela, descobrimos quais são os nutrientes de que o ser humano necessita para ter uma alimentação saudável.

Normalmente esta primeira exploração vem acompanhada de perguntas sobre a quantidade necessária de cada nutriente. Uma simples leitura de rótulos gera muitas perguntas interessantes que, para serem respondidas, utilizamos outras fontes de pesquisa. Aos poucos o grupo vai descobrindo que, para termos uma alimentação saudável, não existe uma fórmula mágica, mas, sim, que devemos buscar um equilíbrio na ingestão dos diversos nutrientes. 

Em um segundo momento, é lançada a pergunta: “Vocês realmente sabem o que estão comendo?”. Normalmente respondem que sim. Que aquele suco de uva do recreio é um suco de uva natural. Qual não é a sua surpresa ao descobrirem, na lista de ingredientes, a quantidade de açúcar existente em uma pequena caixa ou mesmo que muitos sucos levam maçã em sua composição. Sem contar todos os “antes”, acidulantes, corantes, conservantes... quase infinitos.



Com isso, a visão dos alunos vai mudando, pois começam a ler os rótulos e a pensar sobre o que estão ingerindo. No recreio, presenciamos muitas discussões bem interessantes sobre este assunto! Alguns até começam a sugerir à família algumas mudanças alimentares em relação aos alimentos industrializados que consomem. Quando se deparam com o símbolo de transgênico e pesquisam sobre o assunto... a polêmica se espalha pela sala!

Este processo é um pedacinho do nosso projeto Nutrição, que é tão rico! Sempre recheado de discussões, aprendizagens e reflexões, são nossas aulas favoritas! Afinal agora, mais do que em nenhum outro momento da história da humanidade, precisamos pensar e discutir como estamos nos alimentando.

No 9º ano, os alunos estudam sobre os componentes que constam nas bulas dos remédios e também nos rótulos dos alimentos. E perguntamos: Quantas bulas de remédio você leu esta semana?

Se não precisa tomar remédios, parabéns! Você goza de boa saúde e ainda economiza dinheiro com isso. Mas, se por algum motivo você precisa tomar um remédio diariamente, seria muito interessante conhecer o que você está usando... Os rótulos das embalagens, bulas de remédios, manuais dos carros, manuais de instalação de equipamentos, embora "chatos" de serem lidos, são muito importantes!

Vejam, por exemplo, o rótulo das garrafas de água mineral. Embora seja "apenas" água, o rótulo nos mostra que outras substâncias químicas estão presentes nela.
Fundamentalmente, a água mineral recebe esse nome por causa dos sais minerais que ela contém. Ainda que numa variedade muito grande, seus componentes não são suficientes para dar um gosto salgado a ela...

Neste trimestre, fizemos uma atividade em que os alunos puderam identificar quais são os principais sais minerais presentes na água e suas fórmulas químicas. Por acaso, você sabia que a água mineral que bebemos, seja ela de qual marca for, tem aspectos de condutividade elétrica, índice de acidez e até radioatividade? Pois é, está tudo no rótulo!

E é assim, revisitando os temas nos diferentes segmentos da escolaridade, que os alunos vão ampliando seus conhecimentos sobre temas da vida, de seu dia a dia, e vão dando sentido ao aprendizado.

quarta-feira, 15 de março de 2017

O Grafite nas aulas de Sociologia e Artes: quando a polêmica do dia a dia motiva as conversas, reflexões e experimentações na escola

Por Pedro Mancini e Tania Vasone

Na volta às aulas, em fevereiro, nos deparamos com um acontecimento em São Paulo: João Doria Júnior, prefeito recém-eleito, manda apagar os grafites da Avenida 23 de Maio na operação intitulada “Cidade Linda”. Aproveitamos esta notícia, amplamente divulgada nas mídias e redes sociais, para discutir com nossos alunos várias questões de cunho cultural, social, histórico e artístico.

A primeira delas: O que é Arte? Partindo dessa provocação inicial, mostramos para eles diversos estilos e artistas de todos os tempos, enquanto discutíamos a questão de como a sociedade definiu o que é “arte” em cada período histórico, até chegarmos ao grafite e à pichação. Pedimos a eles, então, que procurassem notícias e artigos de opinião e que, então, se posicionassem sobre este assunto tão polêmico. 


A partir de suas reflexões e das notícias selecionadas, outros assuntos apareceram: se é legítimo que o prefeito declare o que é arte ou não; se deve tomar decisões sobre o uso do espaço público sem conversar com os envolvidos; sobre a lei que diz que pichar é crime e sobre o fato de que, antigamente, grafitar também era; sobre o direito dos grafiteiros, que têm suas obras pichadas e agora apagadas; sobre a arte que sai dos museus e democraticamente se expõe na rua; sobre as transformações na cidade e, enfim, sobre o caráter efêmero da arte. 

Enquanto o debate sobre a relação entre grafite, pichação e arte ocorria nas aulas de Artes, as aulas de Sociologia abarcavam uma questão similar na segunda série do Ensino Médio, a saber: “Pichação é cultura?”. 
O professor aproveitou os quentes embates entre o prefeito e os pichadores para debater a respeito do caráter abrangente dos hábitos culturais de uma sociedade, “quebrando”, a partir da visão construída pela Antropologia, ao longo de sua história, a visão elitista sobre a ideia de “cultura” – por vez ainda associada ao limitado mundo “sofisticado” dos museus e teatros clássicos, com acesso muito restrito a amplas camadas da população. 

Com o provocador estudo da cultura a partir da intervenção dos pichadores na cidade, acentua-se a percepção da cultura como conjunto de práticas (inclusive artísticas, mas não só), conhecimentos, costumes e crenças compartilhados por certos grupos sociais com diferentes tamanhos e graus de diversidade. Assim, a arte popular, inclusive a pichação, também é cultura – independentemente de sua legalidade, que traz outras questões para debate! Desse modo, para além de desenvolver seus conhecimentos sobre o que, de fato, é “arte” e “cultura”, os alunos aprenderam a destrinchar um assunto, desenvolvendo argumentos sólidos para fundamentar suas opiniões sobre temas amplamente debatidos em seu meio social, separando argumentos legais de outros tipos de fundamentação. Voltando ao exemplo da pichação, os alunos aprenderam quão importante é refletir sobre o que é judicialmente condenável ou até repudiado por boa parte da população urbana, podendo ainda assim (ou por isto mesmo) se tratar de uma prática cultural e artística.


Com os debates tocados em sala de aula, a maioria dos alunos chega à conclusão de que grafite é arte, sendo que todos o apreciam, e que a pichação  é  uma manifestação de parte da população que deseja transgredir a ordem estabelecida, uma forma de expressão de ideias, uma maneira de mostrar a revolta, de mandar mensagens ou marcar territórios.  A grande maioria dos alunos, contudo, não gosta de pichações por serem feitas em lugares particulares sem o consentimento do dono, para além do julgamento sobre a qualidade estética das letras e rabiscos.

Com os alunos já posicionados sobre a polêmica, mostramos os grandes nomes do grafite brasileiro, como: Nunca, Eduardo Kobra, Tikka, Crânio, Nina e Os Gêmeos, e do mundo, como Basquiat  e Banksy.


Alimentados de tantas ideias e imagens maravilhosas, produziram, então, seus próprios trabalhos de intervenção, que logo poderão ser apreciados pelos espaços da escola.